sexta-feira, setembro 30, 2011

Filosofia e Cinema: Detenção e a Sombra Humana

DETENÇÃO E A SOMBRA HUMANA

Guilherme Fauque

Detenção Imagine que você está numa situação financeira crítica, desempregado e, de repente, depara-se com um anúncio no jornal oferecendo uma oportunidade de ganhar $1000 dólares por dia com a participação num experimento comportamental monitorado. Você aceitaria? Por que não? Parece ser um dinheiro fácil...

Assim pensou Travis, personagem de Adrien Brody, no thriller The Experiment, (Detenção no Brasil), do diretor Paul Scheuring.

Adaptado de uma experiência verídica, realizada em 1971 na Universidade de Stanford, o experimento consistiria em separar um grupo de vinte voluntários entre prisioneiros e guardas, simulando um sistema prisional, onde os detentos deveriam obedecer a determinadas regras, enquanto aos guardas caberia o dever de manter a ordem. O objetivo seria observar as circunstancias reais ocorridas nos sistemas prisionais.

 imagesContudo, a experiência fugiu ao controle e as delicadas linhas entre o real e a experimentação fundiram-se num episódio abissal de violência, arrogância, abusos, crueldade e orgulho, características antes ocultas e/ou reprimidas na personalidade dos entrevistados, mas que emergiram do inconsciente a semelhança de um Jakyll e Hyde coletivo.

Poderíamos afirmar que o ocorrido deu-se à conhecida teoria das maçãs podres, onde líderes de cada lado teriam induzido os grupos ao inevitável embate. Contudo, esta seria a maneira mais simples de tirar a própria culpa e projetá-la em terceiros. Ora, só somos manipulados quando há determinadas condições que favorecem esta manipulação. No caso, as condições do experimento tornaram o convívio insuportável, levando ao mau-comportamento. E isso não se restringe a casos específicos, como este, mas aos diversos momentos de nossas vidas em que nos expressamos descontroladamente, deixando escapar o monstro que agrilhoamos cuidadosamente em nosso interior. Portanto, a culpa não é de um, mas uma manifestação sombria no inconsciente coletivo.

filme_detencao01Segundo Carl Gustav Jung, a natureza humana possui um conteúdo autodestrutivo inconsciente e reprimido que se organiza sob o que denominou como sombra. Esta sombra seriam aquelas tendências, desejos e memórias rejeitadas por serem consideradas inaceitáveis e contrárias aos padrões morais e sociais aceitos. Algo como um eu obscuro escondido no interior de cada um de nós que, por vezes, se manifesta tomando força através de impulsos autodestrutivos.

Isto fica evidente no filme quando observamos que as cobaias, que inicialmente reprimiram suas tendências negativas, aos poucos, devido às circunstâncias estressantes, foram sendo dominadas pelo seu lado sombra, chegando, por fim, ao descontrole total.

Contudo, assim no filme, como na vida real, passado o momento de descontrole, nos sentimos desnorteados, confusos, como que saindo de um sonho ruim, restando-nos a pergunta: como cheguei a este ponto?

Um comentário:

Ricardo disse...

Amigo Guilherme:
Sugestão anotada para o final de semana!
Abração,
Ricardo.

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