sábado, novembro 26, 2011

“A você que está reclamando todo o tempo de não ter nenhum tempo”

Trecho do livro “Para Você” (To you) do mestre Zen Sawaki Kodo Roshi.

O trecho foi traduzido do original japonês por Jesse Haasch e Muhô (Antaiji) e livremente para o português para o blog Darmalog:

“A você que está reclamando todo o tempo de não ter nenhum tempo”

Por Sawaki Kôdô Rôshi
As pessoas se mantém ocupadas só para evitar o tédio.
Todo mundo reclama que estão tão ocupados que não tem tempo nenhum. Mas porque eles estão tão ocupados? São apenas suas ilusões que os mantém ocupados. Uma pessoa que pratica zazen (meditação) tem tempo. Quando você pratica zazen, você tem mais tempo que todos do mundo.
Se você não for cuidadoso, você começará a fazer um grande escarcéu só para alimentar você mesmo. Você está constantemente com pressa, mas por que? Só para alimentar você mesmo. As galinhas também estão com pressa quando chegam às suas comidas. Mas por que? Apenas para ser comidas por humanos.
Quantas ilusões uma pessoa cria em sua vida? É impossível calcular. Dia vai, dia vem, “Eu quero isso, eu quero aquilo…” Uma simples volta no parque é acompanhada por 50 mil, 100 mil ilusões. Então é isso que significa estar “ocupado”. “Quero estar com você, quero chegar em casa, quero ver você…”
 As pessoas estão constantemente sem ar – de correr tão rapidamente atrás de suas ilusões.
Você quer alcançar o nirvana para estar liberado da sua vida atual? Esta é a exatamente a atitude que é chamada de “transmigração”.
 
O desenvolvimento do transporte tornou o mundo menor. Agora corremos em carros, mas pra onde afinal? Para a corrida! Pisamos no acelerador, só pra matar tempo”.

domingo, outubro 30, 2011

Contemporaneidade: Execução de Kadafi

 

JUSTIÇA OU VINGANÇA?

Guilherme Fauque
Recentemente foram veiculados nos canais de notícias alguns vídeos expondo a captura e consequente execução do ditador Muamar Kadafi pelos rebeldes líbios. As imagens são fortes, mostrando um homem sendo arrastado pela multidão, agredido e implorando por sua vida, mediante uma turba enlouquecida disparando tiros para o alto, comemorando a captura do ditador e a justiça feita pelas próprias mãos.
Justiça? Poderíamos chamar a execução pública que assistimos como justiça? Possivelmente muitos destes rebeldes enlouquecidos na multidão sofreram grandes abusos por parte de Kadafi e seus desmandos de ditador. Contudo, a agressão e execução, aliás, pelo teor das imagens poderíamos até dizer que foi um linchamento, poderia ser classificado como um ato de justiça? Ou seria mais legítimo definirmos o que vimos como vingança?
Embora os dois termos aparentemente possam se confundir, eles são distintos e não devem ser igualados. Quando falamos em justiça estamos nos referindo a um acordo que objetiva manter a ordem social através da preservação dos direitos, seja na forma legal ou mesmo em litígio. De qualquer forma, busca-se, tanto quanto possível, a igualdade entre os cidadãos, perante a equidade proposta pelas leis e, por fim, a preservação da vida, mediante a tentativa da reparação do erro. Através da justiça criamos um laço social com as outras pessoas, mesmo àquelas das quais nunca vimos, o que nos permite ter o seu respeito, assim como também devemos respeitá-las.
A vingança, contudo, tem um aspecto mais destrutivo do que igualitário. Há excessos e passionalidade, apoiando-se na velha lei mosaica de Talião – “olho por olho, dente por dente” – para, impulsionada por sentimentos de ódio, rancor, raiva ou mágoa, revidar àquilo que julga por si mesmo ser uma injustiça. Apresenta-se, então, um tipo de “justiça selvagem”, para usar as palavras de Francis Bacon, que objetiva, essencialmente, fazer com que a pessoa que a lesou passe pela mesma – e às vezes pior – dor.
No caso da morte de Muamar Kadafi a selvageria da pretensa “justiça” dos rebeldes evidenciou um ato essencialmente de vingança, retaliação e violência desmedida. Os excessos e a passionalidade ficaram evidentes nas cenas da execução que assistimos nos vídeos, transformando a captura do ditador, num show de horrores. E nos perguntamos, como podem os líbios almejarem um novo governo com bases justas e igualitárias, começando já com fundamentos tão degradantes? Como erigir uma nova sociedade baseando-se num sentimento tão volátil quanto à vingança?
Certamente existem determinadas situações onde a justiça legal não consegue atuar e isso faz com que sonhemos com a vingança como reparação. Contudo, é importante ter claro que vingança não é justiça.
A vingança, embora possa satisfazer o ego, pulveriza as relações sociais e por isso acreditamos na importância de a substituirmos pela justiça, constituindo, aí sim, um estado de respeito uns com os outros. 

Video da captura de Kadafi

sexta-feira, setembro 30, 2011

Filosofia e Cinema: Detenção e a Sombra Humana

DETENÇÃO E A SOMBRA HUMANA

Guilherme Fauque

Detenção Imagine que você está numa situação financeira crítica, desempregado e, de repente, depara-se com um anúncio no jornal oferecendo uma oportunidade de ganhar $1000 dólares por dia com a participação num experimento comportamental monitorado. Você aceitaria? Por que não? Parece ser um dinheiro fácil...

Assim pensou Travis, personagem de Adrien Brody, no thriller The Experiment, (Detenção no Brasil), do diretor Paul Scheuring.

Adaptado de uma experiência verídica, realizada em 1971 na Universidade de Stanford, o experimento consistiria em separar um grupo de vinte voluntários entre prisioneiros e guardas, simulando um sistema prisional, onde os detentos deveriam obedecer a determinadas regras, enquanto aos guardas caberia o dever de manter a ordem. O objetivo seria observar as circunstancias reais ocorridas nos sistemas prisionais.

 imagesContudo, a experiência fugiu ao controle e as delicadas linhas entre o real e a experimentação fundiram-se num episódio abissal de violência, arrogância, abusos, crueldade e orgulho, características antes ocultas e/ou reprimidas na personalidade dos entrevistados, mas que emergiram do inconsciente a semelhança de um Jakyll e Hyde coletivo.

Poderíamos afirmar que o ocorrido deu-se à conhecida teoria das maçãs podres, onde líderes de cada lado teriam induzido os grupos ao inevitável embate. Contudo, esta seria a maneira mais simples de tirar a própria culpa e projetá-la em terceiros. Ora, só somos manipulados quando há determinadas condições que favorecem esta manipulação. No caso, as condições do experimento tornaram o convívio insuportável, levando ao mau-comportamento. E isso não se restringe a casos específicos, como este, mas aos diversos momentos de nossas vidas em que nos expressamos descontroladamente, deixando escapar o monstro que agrilhoamos cuidadosamente em nosso interior. Portanto, a culpa não é de um, mas uma manifestação sombria no inconsciente coletivo.

filme_detencao01Segundo Carl Gustav Jung, a natureza humana possui um conteúdo autodestrutivo inconsciente e reprimido que se organiza sob o que denominou como sombra. Esta sombra seriam aquelas tendências, desejos e memórias rejeitadas por serem consideradas inaceitáveis e contrárias aos padrões morais e sociais aceitos. Algo como um eu obscuro escondido no interior de cada um de nós que, por vezes, se manifesta tomando força através de impulsos autodestrutivos.

Isto fica evidente no filme quando observamos que as cobaias, que inicialmente reprimiram suas tendências negativas, aos poucos, devido às circunstâncias estressantes, foram sendo dominadas pelo seu lado sombra, chegando, por fim, ao descontrole total.

Contudo, assim no filme, como na vida real, passado o momento de descontrole, nos sentimos desnorteados, confusos, como que saindo de um sonho ruim, restando-nos a pergunta: como cheguei a este ponto?

quarta-feira, janeiro 05, 2011

Garotinho "morre" e ressuscita após 3 horas

Uma das temáticas que me fascinam na filosofia é a questão da consciência, da mente vs. cérebro, tão debatida na Filosofia da Mente.

garotinho-g-20100408Predominantemente tem-se a ideia de mente e cérebro como um só e a mesma coisa. Desta feita, uma possível divisão estaria relegada à filosofia cartesiana, que propunha duas substâncias em separada, a res extensa e a res cogitans.

Contudo, muito além dos debates teóricos, multiplicam-se nos hospitais os relatos de experiências de pessoas que acreditam terem vivenciados experiência que ultrapassam o estado corpóreo.

Talvez devido ao grande avanço da medicina no que tange ao ressuscitamento de pessoas em estado crítico de quase-morte, os relatos vem multiplicando-se e espantando muitos profissionais, além de trazer novas possibilidades de pesquisa no que tange a consciência.

Um destes casos recentes foi do garotinho Paul, na cidade de Lynchen, na Alemanha. Paul foi encontrado, por seu avô, boiando e já sem respirar em um lago próximo a casa de seus avós.

Levado as pressas para o hospital, Paul foi dado como clinicamente morto pelos médico e assim permaneceu por 3 horas e 18 minutos… Porém, espantosamente, o coração de Paul voltou a bater.

Segundo as palavras do médico Lothar Schweigerer, um milagre ocorreu.

- Nunca vi nada parecido. Quando isso acontece, a morte é certa.

Agora, Paul se recupera no hospital, sem sequelas. O que impressiona, além do tempo considerado morto, 3 horas e 18 minutos, é também aa questão da consciência. Com 3 horas sem respirar, o cérebro não receberia oxigenação e, portanto, não haveriam atividades cerebrais. Contudo,  o menino conta que conheceu sua bisavó Emmi no “céu” e que ela disse que ele deveria voltar logo para a vida.

Fonte:http://noticias.r7.com/esquisitices/noticias/garotinho-morre-ve-bisavo-no-ceu-e-ressuscita-20100408.html

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