terça-feira, fevereiro 02, 2010

Atualidade

A polêmica Suástica

Guilherme Fauque

{8C23A336-C7CD-47FE-93E7-A7AC61916840}_suastica Recentemente surgiu uma discussão, levantada pela Federação Israelita do Rio de Janeiro (FIERJ), a respeito das suásticas tatuadas no braço do participante do Big Brother 2010, o gaúcho Marcelo Dourado.

Sabemos, infelizmente, o que a suástica representou para a vida de incontáveis judeus durante na Segunda Guerra Mundial. O preconceito, a perseguição e o genocídio em massa fizeram desta guerra, que teve como principal artífice o malfadado Adolf Hitler e o seu Nazismo, um episódio de puro terror e covardia. Tudo isso sob a égide da temerária suástica, símbolo máximo do Nazismo.

Contudo, a suástica nem sempre foi assim tão mal-vista. Antes da sua “destruição simbólica”, patrocinada pelo Nazismo, este ícone tinha grande importância em diversas culturas, tanto ocidentais quanto orientais.

250px-Owlvasetroy Pesquisando um pouco sobre a historia deste símbolo encontramos referências a figuras símiles datados de 4.000 a.C, esculpidas em vasos de cerâmica. Ainda encontramos símiles da suástica na antiga escrita européia “vinca”, além de objetos, datados da Idade do Bronze e do Ferro, no Azerbaijão e no Cáucaso. Posteriormente, ainda encontramos registros da suástica nos povos indo-arianos, hititas, celtas, gregos, nas culturas asiáticas, européias, africanas e indígenas americanas,Swastika_iran embora tenha sido a cultura oriental que a tenha mantido, principalmente como símbolo religioso. Mais modernamente, por exemplo, encontramos símiles da suástica no símbolo da Seicho-No-Ie, na Sociedade Teosófica e até no mapa do túnel da cidade de  Taipei, onde a localização do Templo é sinalizada por uma suástica.

A palavra suástica vem do sânscrito svástika (स्वस्तिक) e significa “aquilo que traz boa sorte”, onde a raiz “svas” quer dizer “bondade”. Ela representa a prosperidade , a boa sorte, saúde e a perfeição cósmica. A suástica budista, por exemplo, é como olhar a suástica nazista num espelho, ou seja, ela é invertida. Rezam as lendas que Hitler utilizou-a de forma invertida para atrair forças mágicas, que segundo dizem, envolviam a onda mística que permeava o Partido Nacional Socialista e a Sociedade do Tule.

Por outro lado, vemos a intenção da pureza ariana no uso deste símbolo. Os nazistas defendiam que a suástica tinha sido implantada na Índia pelos povos arianos e que a própria relação de castas havia sido uma maneira de preservar a raça pura.

Desta forma, a simbologia originária foi praticamente destruída aos Buddhistswastika olhos do senso comum. Basta vermos uma suástica e já nos arrepiamos até o último fio de cabelo, lembrando dos nazistas e, agora, dos neonazistas. E em grande parte das vezes não podemos negar que esta influência anti-semitica, racista e homofóbica realmente exista. Porém, o julgamento apressado também pode ser preconceituoso.

Se observarmos a tatuagem de Marcelo Dourado, vemos um desenho japonês, um Samurai, onde em seu hakama (aquele saiote que usam) estão impressas, minimamente, as suásticas. Será que a intenção era nazista? Ou estava incluída numa cultura oriental?

De qualquer forma, no ocidente o símbolo tomou conotações completamente malévolas devido à indevida associação ao nazismo. Infelizmente, não podemos pretender esvaziar, de uma hora para outra, toda a significação que a suástica assumiu no ocidente; aliás, talvez nunca possamos. Esclarecimentos são importantes, mas talvez um pouco de empatia por aqueles que sofreram o jugo da indevida utilização deste símbolo seja, no mínimo, uma questão de bom senso.

2 comentários:

Rômulo Cézar Souza disse...

Muito bom teu texto, Guilherme. Esclarece muita coisa. Mostra que não é apenas com as palavras que ocorre a distorção do significado, mas ainda com os símbolos.

Abço!!!

Ricardo disse...

Amigo Guilherme:
Faço minhas as palavras do comentador anterior, Rômulo C. Souza: o texto é muito bom.
De minha parte, quando ingressei no Budismo e vi a suástica como um dos signos no Buda Sakyamuni, fiquei "apavorado". Que relação poderia ter Buda com Hitler? Como a ignorância só se desfaz com a luz, fui pesquisar e vi que a conotação do símbolo era originalmente diversa. Como você bem disse, aquela suástica budista está invertida... mas não é apenas isso que "inverteria" sua bondade, pois, se não me engano, há outras versões antigas do símbolo que também são invertidas e não tem esse aspecto malévolo que acabou sendo atribuído a ele com o advento do nazismo.
Muito bem observada, também - aliás, como sempre você faz -, a importância do "contexto" em toda linguagem. Seu destaque da tal suástica estar inserida numa imagem oriental faz toda a diferença para a percepção da intenção original de quem fez e de quem usa o desenho.
Abração.

On-Line Translator