terça-feira, dezembro 07, 2010

Entre a ação e a Esperança


esperança1Como um termo comum ao discurso cotidiano, a esperança tornou-se uma temática de discussão cotidiana à vida humana. Desde um simples jogo de futebol, até a busca da cura do câncer, a esperança está sempre presente. Esperamos que nosso time venha a ser o campeão da temporada. Esperamos que o câncer, que assola e corrói impiedosamente o corpo, seja vencido pela medicina.
Na mitologia grega, a esperança personificava-se na jovem deusa Elpis, armazenada num jarro por Zeus e confiada a Pandora, que tinha a função de liberar todos os males na terra e, inadvertidamente, deixou escapar apenas uma virtude... A esperança.

sao_tomas_de_aquinoEntre os filósofos antigos, muitos foram os que a ela renderam homenagens. Para Platão, a esperança para se alcançar o bem supremo, ou seja, a sabedoria estava exclusivamente no post mortem, onde, enfim, teríamos contato com as ideias perfeitas. Contudo, foi com a revelação cristã que a esperança tomou conotações divinas, tendo belas interpretações por Paulo de Tarso e com os filósofos cristãos Santo Agostinho, Pedro Abelardo e São Tomás de Aquino, que fez uma bela preleção sobre o assunto na sua Summa Teológica, relacionando plenamente a esperança com a fé.

Inclusive, na religião católica, que dominou grande parte da historia do cristianismo, a esperança é considerada uma das três virtudes teologais e condição sine qua non para a salvação. É através da esperança que os  cristãos esperam alcançar o Reino de Deus e, juntamente, conquistar a vida eterna e a felicidade. Assim, a esperança é vista como uma virtude intimamente ligada à fé. Devemos confiar nas palavras de Deus, agir virtuosamente e esperar pacientemente para alcançarmos as promessas Divinas. Esta teoria fica bastante explícita na encíclica spe salvi, publicada pelo papa Bento XVI.

Por outro lado, distanciando-nos um pouco do caminho interpretativo puramente da fé, se é que podemos fazer tal coisa, analisemos a palavra esperança por outro ângulo e observemos um contraponto à teoria cristã.

A palavra esperança provém do latim sperare, e tem como significação uma expectativa otimista referente a algo que se deseja alcançar. Devido a este caráter de espera e não de ação, para muitos pensadores iluministas e modernos, imbuídos da ideia de dominar a natureza, a esperança deixa de ser uma virtude e passa a ser vista como uma passiva ignorância teológica. A felicidade, a vida boa, não poderia ser conquistada pela passividade. Somente a própria ação de viver e agir sobre o presente poderia levar a vita beata. Esperança seria sinal de falta de controle, falta de domínio. Desta forma, os homens, pela perfeição da matemática e sua capacidade criativa (para alguns até diríamos criadora), acreditavam num antropocentrismo radical capaz de dominar o mundo e controlá-lo com a sua vontade. A razão começava a dominar e sobrepujar a fé, legando à esperança um espaço de inferioridade passado ao homem fraco, como dizia Nietzsche. Darwin mostrava a força do mais forte sobre o mais fraco, na luta pela sobrevivência da espécie.

antropocentrismoDesta feita, na ânsia de ter domínio sobre si mesmo e tudo o que o cerca, o homem passou a acreditar somente na sua força pessoal e relegar a fé para os fracos, que se abandonavam em passiva crença em esperanças vindouras e não lutariam por conquistas imediatas, dominado a sua vida ao invés de deixar-se levar.

Não obstante, contemporaneamente, vemos uma volta à observação do valor da natureza e a consequente compreensão da falibilidade de uma razão antropocêntrica. Enfim, o homem começa a compreender seu lugar na imanência do mundo, como uma peça deste imenso quebra-cabeça.

images (1)Contudo, acreditamos que tanto a atitude passiva e de espera no que poderá vir, entendida como esperança, assim como a vontade de domínio total de todos os aspectos da vida, são exageros. A força da esperança não pode ser negligenciada em nossas vidas, afinal, quando voltada à vontade de mudança, ela pode ser uma importante força a impulsionar a busca pelo autoconhecimento.

Ora, certamente que a passividade não pode sobrepor à vontade de mudança. Contudo, é evidente que há momentos em que a vontade fraqueja e as situações desenvolvem-se de tal forma que somente a esperança nos faz desejar lutar. Por isso a necessidade d’um equilíbrio entre a passividade e atividade, entre esperança e ação.
Guilherme Fauque

terça-feira, novembro 16, 2010

Entre testículos e textículos vamos vivendo e aprendendo!

Guilherme Fauque

portugues1 A língua portuguesa é mesmo riquíssima! E nos prega cada peça! Estava conversando com um amigo, um rapaz muito culto, e lhe dei um pequeno texto meu para ler.

Ele leu, me devolveu e de repente me deu um elogio prá lá de estranho:

- Guilherme! Gostei muito do teu textículo!

Gaúcho da fronteira como sou, dei dois passos para trás e quase puxei meu facão!

- Opa! Que é isso companheiro! Tá me estranhando? Não te aproximes que te capo!
gaucho

Ele me olhou supreso, levantou os braços na defensiva e falou:

- Calma! Não é o que tu estás pensando! Textículo é um texto pequeno, como o que tu escreveste.

- Dá onde tu tiraste isso?

- Tá no dicionário, ué!

Como bom filósofo gaudério respondi de pronto:

- Duvide-o-dó!

- Espera!

Abriu a pasta e tirou um monstro de um dicionário… não me pergunte porque ele andava com um dicionário destes na pasta… e lá estava o textículo (com “x”), ou seja, um pequeno texto.

Não é que era verdade! E eu que quase dei um faconaço nos testículos do coitado!

nietzsche-caricatura - Mas bah, chê! Como é que eu nunca vi o Frederico falar este termo! (O Frederico é o tal do Nietzsche, é claro… aquele que tinha um bigode prá lá de gaudério)

E saí pensativo… pois nunca pensei que ia andar com meus textículos na mão…

segunda-feira, novembro 15, 2010

Nova Publicação!

Todos sabemos da importância da educação no desenvolvimento social e humano. Por isso é com imenso prazer que trago aos amigos leitores mais um lançamento nesta área de fundamental interesse à todos nós.

Foi lançado um novo livro intitulado: Educar o Educador: Reflexões sobre a Formação Docente, do Filósofo e educador Altair Fávero, pela editora Mercado de Letras.

Recomendo a leitura!

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sábado, novembro 13, 2010

sexta-feira, novembro 12, 2010

Qual o preço da vida?

Qual o preço da vida?
Guilherme Fauque
Com a aproximação do Natal, instaura-se uma época de paz, amor,Noel apressado harmonia... será? Na verdade torna-se até irônico falar em paz, amor e harmonia numa época em que as pessoas estão extremamente agitadas e o stress é predominante. Presentes, enfeites, árvores de natal, papai noel, gastos além da conta, agitação, pressa... e o amor? E a paz? E a harmonia? Não são  produtos vendáveis no mercado, portanto, estão relegados, quando muito, a um segundo plano.

evil_santaNinguém mais duvida que o Natal é um grande negócio e não seremos hipócritas a ponto de querer defender uma pureza natalina que sabemos que não existe. “Irmãos, vamos amar uns aos outros” é um bordão religioso manjado e irritante. Ora, por que buscar a paz, a harmonia e o amor só agora? Se é para buscar estas virtudes, que se busque-as ao longo dos dias comuns da vida e não somente em datas festivas. Para o cidadão comum, o Natal é comércio, é disputa, é correria, é a época em que o homem é o lobo do homem, como dizia Hobbes. Quem lembra do nascimento de Jesus? Quem pensa na paz, no amor e na harmonia?


pai-natal-cContudo, hoje recebi a visita de um amigo com câncer que me disse, com o olhar cansado e tristonho: “É... o tempo corre. O Natal já está aí”. E olhando para todos os enfeites que havíamos preparado em casa, com os olhos marejados numa saudosa expressão de quem sabe que provavelmente não passará mais um natal, falou: “Como o natal é lindo”. Nunca o tinha ouvido falar desta maneira e parei para pensar no valor da vida... Pensei em quantos natais passamos correndo, estressado, esquecendo dos valores perenes. Afinal, quem é comerciante precisa faturar, quem é cliente precisa consumir, essa é a lei que mantém a nossa sociedade. Décimo terceiro, férias, créditos e empréstimos são liberados para fazer girar a máquina capitalista, esta sim o verdadeiro relojoeiro de Descartes, e assim todos vamos sendo arrastados pelo tsunami capitalista sem parar para pensar no valor da vida, no que somos e no que nos tornamos, de onde viemos e para onde iremos, qual é a nossa natureza e o que nos faz realmente felizes. Afinal, quem tem tempo para pensar nisso? Se pararmos para pensar a máquina antropofágica do sistema nos engolirá.

Afinal, por que trocamos nossa paz pelo stress? Por que trocamos o amor pelo ódio? Por que trocamos a harmonia por presente de natal?
Papai Noel (1)

sábado, novembro 06, 2010

Nisto eu Acredito – Will Durant

 

Nisto eu Acredito

Will Durant

autorid00582Encontrei no Universo tantas formas de ordem, organização, sistema, leis e ajustes de meios à fins, que acredito numa inteligência cósmica e concebo Deus como a vida, mente, ordem e lei do mundo.

Não compreendo meu Deus, e encontrei na natureza e na história muitos exemplos de aparente mal, desordem, crueldade e despropósito. Mas compreendi que vi tudo isso com uma visão muito limitada e que de um ponto de vista cósmico talvez tudo seja exatamente o contrário. Como pode uma infinitésima parte do universo compreender o todo? Nós somos pingos d’água tentando compreender o mar.

Darwin_apeAcredito que eu sou o produto de uma evolução natural. A lógica da evolução parece compelir ao determinismo, mas não posso sobrepujar minha consciência direta de uma liberdade limitada de desejo. Acredito que se pudesse ver todas as formas de matéria de dentro, como vejo a mim mesmo pela introspecção, eu encontraria nelas algo semelhante ao que em nós é a mente e a liberdade. Defino “virtude” como toda a qualidade que nos faz sobreviver, mas como a sobrevivência do grupo é mais importante do que a do indivíduo, as mais altas virtudes são aquelas que para a sobrevivência grupal: amor, empatia, bondade, cooperação. Se vivi minha vida de acordo com os meus ideais, deveria combinar a ética de Confúcio e de Cristo; as virtudes de um desenvolvimento individual com aqueles de um membro de um grupo.

Na minha juventude fui socialista e simpatizem com o regime soviético, até que visitei a Russia em 1932. O que eu vi lá me levou a desaprovar a extensão deste regime à qualquer outro lugar. A experiência e a historia me ensinaram que as bases instintivas e as necessidades econômicas de competição e propriedade privada. Não sou um pregador tão fanático da liberdade como alguns de meus amigos conservadores e radicais; quando a liberdade excede a inteligência produz o caos; que gera a ditadura. Tínhamos muita liberdade econômica no final do século XIX devido a terra livre e nossa relativa isenção dos perigos externos. Hoje temos muita liberdade moral devido ao aumento de bens e a redução das crenças religiosas. A era da liberdade está findando sob a pressão dos perigos externos; a liberdade das partes varia de acordo com a segurança do todo.

Não me ressinto com os conflitos e dificuldades da vida. No meu caso, eles têm sido de longe recompensados pela boa sorte, razoável saúde, lealdades dos amigos e uma vida feliz em família. Tenho encontrado tantas pessoas boas que eu quase perdi minha fé na maldade da humanidade.

morteSuspeito que quando morrer, eu estarei morto. Uma existência infinita seria uma maldição como a do Holândes Voador e do Judeu Errante. A morte é a maior invenção da vida; perpetuamente substituindo o gasto pelo novo. E depois de 20 volumes, será ótimo dormir.

FONTE: http://www.willdurant.com/believe.htm

sábado, agosto 14, 2010

Nietzsche e a Educação

Olá amigos

Mais um belo lançamento para todos aqueles que admiram Nietzsche e/ou se interessam pela temática da educação.

CapaFrente Foi lançado o livro pela Editora IMED e organizado pelo Dr.Altair Alberto Fávero, Mestre em Filosofia (PUCRS), Doutor em Educação (UFRGS), Professor e Pesquisador do Curso de Filosofia e do Mestrado em Educação – UPF.

O objetivo deste livro é propor leituras e perspectivas sobre Nietzsche e a educação. Independentemente de como se posicionam, essas leituras são, antes de tudo, provocativas de autores que encaram o desafio de dialogar com Nietzsche sem ser muitas vezes ouvidos por ele, esse arauto da Filosofia com “F” maiúsculo, que se dignou a pensar além da negação da negação, ou seja, a pensar a criação.
O livro constitui-se de dois grandes momentos: no primeiro, reunimos textos que abordam diferentes temáticas do pensamento de Nietzsche; no segundo, textos que tratam, de forma mais pontual, da relação entre Nietzsche e a educação.

O livro pode ser adquirido por apensa R$ 21,00 através do telefone (54)3581-3459 ou através dos e-mails: favero@upf.br; altairfavero@gmail.com; fran-sk8@hotmail.com

Vale a pena pessoal!

SUMÁRIO DO LIVRO

1. Sobre o devir em Nietzsche: uma provocativa

Clenio Lago

2. Nietzsche e o trágico

Valmor Luiz Oselame

3. Pessimismo e arte na cultura: o dionisíaco e o apolíneo em O nascimento da tragédia, de Nietzsche

Altair Alberto Fávero

4. A gênese da consciência moral: uma leitura em Nietzsche

Alcemira Maria Fávero

5. O ataque ao sujeito metafísico: algumas relações com a noção moderna de infância

Vilmar Alves Pereira

6. O professor Nietzsche e a educação

Elenilton Neukamp

7. O trágico no processo educativo

Clenio Lago

8. A dimensão trágica da sala de aula

Lúcia Schneider Hardt

9. Nietzsche: crítica e transvaloração da educação

Nadja Hermann

10. Nietzsche e a reafirmação da vida: contribuições póstumas para a educação Amarildo Luiz Trevisan

Catia Piccolo Viero Devechi

quarta-feira, agosto 04, 2010

Rasteira certeira de Ahmanidejad

lula_ahmadinejad_webCada vez eu fico entendendo menos o que o Presidente Lula está querendo em manter relações de “amizade” com um fascista como Mahamoud Ahmanidejad. Ok, sabemos das pretensões do presidente quando a uma cadeira na ONU, as pretensões quando a possibilidade de ser aquele que conseguiu estabelecer relações de paz com um país que desafia o mundo todo.

Lula-pe Mas, será que o Sr. Presidende não consegue enxergar que está realizando um marketing oposto, dando um verdadeiro “tiro no pé”, e sujando sua imagem chamando este fascista de “amigo Ahmanidejab”? A que custo a ambição do Sr. Presidente pode chegar para atingir seus objetivos?

Ahmanidejad continua enriquecendo Urânio e, devido da interferência do Presidente Lula, está ganhando tempo diante da ONU. Logo será capaz de amedrontar seriamente o mundo, não mais com ameças levianas, mas com uma ameaça real.

Ora, se Ahmanidejad não foi capaz, sequer, de ceder o mínimo de sua posição, ao negar veementemente ao apelo do Lula de Sintonia-759917extradição da mulher condenada a morte por apedrejamento, chamando, inclusive, nosso presidente de “emotivo” e “mal-informado” quanto aos detalhes da condenação, o que esperar, então, de posições politicamente mais complexas?

Certamente, continuo sem entender o estranho fascínio que “Evos”, “Fidéis”, “Chaves” e “Ahmanidejads” da vida exercem sobre nosso presdiente.

sexta-feira, julho 16, 2010

Spinoza na revista O Rosacruz

 

capa_rosacruz Na revista O Rosacruz deste trimestre, n.272, foi publicado uma matéria de minha autoria entitulada: Baruch Spinoza: Filósofo e Rosacruz? Para aqueles que tem acesso a revista, acredito ser uma leitura interessante.

Deixo aqui o pequeno texto de apresentação do ensaio:

Que Spinoza apresentou uma filosofia que pode ser considerada mística, muitos concordam. Suas reflexões alçam a alma a novos níveis de consciência. Mas era ele rosacruz? Existem indícios neste sentido, e é este o tema deste trabalho.

sábado, julho 03, 2010

A Maldição de Mick Jagger!

É… perdemos a copa. Mas, a culpa não foi da escalação perfeita do Dunga, não foi falha do Julio César, ou muito menos o desequilibrio emocional dos jogadores. O que falar então da expulsão do Felipe Melo? Que nada! A culpa não foi dele também!!! Jabulani? Nem pensar!

mick-jagger-rolling-stones-mickjaggervert_1221742841A culpa foi da Maldição de Mick Jagger!!!! É fato científico! Comprovado empiricamente! Primeiro Jagger torceu para os EUA, o que aconteceu? Foi eliminada. Depois foi a Inglaterra, resultado? Também foi eliminada. Por fim, o Brasil sofreu com a terrível maldição do pé frio de Jagger. Resultado? Advinhe…

Aliás, agora, na torcida do jogo da Argentina, para a infelicidade do Maradona, acabo de ver o Mick Jagger lá…ah, claro, a Argentina está perdendo.

segunda-feira, junho 14, 2010

Tradutor on-line

Hello my dear foreingn friends!

Now I’m putting on the top right corner of the blog a translator to English, Spanish, Japanese, French, Italian and Germany.

I think that tool will be very useful to my foreign readers when I cannot write in english.

I hope than can be useful and so I can receive more comments – LOL

Then, you just need click on the flag to translate to language that you desire.

domingo, junho 06, 2010

DESAFIOS

DESAFIOS

Guilherme Fauque

sumo-kid1 Certa vez Sócrates, grande filósofo grego, disse que uma vida sem reflexão não merece ser vivida. O mesmo diríamos de uma vida sem desafios. Os desafios são a dinâmica da vida e a todo momento temos que enfrentá-los. Desde os primeiros contatos com outros seres sentimos-nos desafiados a abandonar uma posição comoda e interagir, aprendendo a ceder espaço quando tudo o que queremos é manter atenção em nós. Aliás, dizem alguns pensadores, que a própria concepção já foi o primeiro e grande desafio que enfrentamos, ao vencermos a corrida dos espermatozódes na fecundação do óvulo.

De qualquer forma, os desafios são uma constante em nossas vidas e dão a ela um tempero especial. A conquista nos impulsiona, a derrota nos ensina; no entanto, sempre avançamos, nunca estagnamos. Saber encarar estes desafios com confiança, temperança e coragem, nos faz seres humanos melhores.

SumoKid_450x532Ora, compreendemos que os desafios nos fortificam e calejam nosso corpo e nosso espírito, nos tornando seres humanos que buscam as virtudes para o crescimento pessoal e da humanidade. O verdadeiro artista marcial estende a mão ao companheiro, pois sabe que ninguém caminha por esta vida sozinho, afinal, vivemos em sociedade e nela encontramos os desafios que nos impulsionam a buscar a felicidade. Ser compassivo e equilibrado no claustro de um monastério, ou no topo do Himalaia, é simples, desafiante mesmo é ser compassivo e equilibrado em meio ao caos urbano de uma cidade grande, no trânsito caótico da hora do rush...

wresting_whos_the_strongest Os desejos e as paixões movimentam nosso eu como um barquinho em meio a um mar revolto, nos levando hora para cá, hora para lá. Por isso, Baruch Spinoza, grande pensador moderno, dizia que somos naturalmente “seres apaixonados”, ou seja, somos movidos pelas paixões. Algumas destas paixões nos puxam para baixo, para situações desagradáveis, outras nos puxam para cima, para situações virtuosas. Estas últimas ele chamou de afecções. Tanto um quanto o outro não nos deixam viver na estagnação, mas nos apresentam constantes desafios que dão sentido a nossa vida e nos movimentam neste mar revolto que é a vida. E o maior de todos os desafio está em aprendermos a viver movimentando-nos em direção a perfeição da Natureza, transformando nossas paixões em afecções, ou seja, vivendo de forma a buscarmos as virtudes das paixões positivas (afecções) para sermos pessoas felizes e realizadas.

Por isso, não nos deixemos esmaecer perante os desafios, não fujamos destes. Mas, os enfrentemos com a consciência de eles são necessários e desejáveis para a nossa vida.

quinta-feira, março 18, 2010

A MULHER INTELECTUAL

A MULHER INTELECTUAL

Guilherme Fauque

mulher inteligente Recentemente comemorou-se o Dia Internacional da Mulher, uma conquista sofrida com um itinerário repleto de histórias trágicas que, infelizmente, em determinados locais ainda acontecem a despeito da pretensa evolução de nossos tempos.

Infelizmente a história do pensamento humano não foge a regra e o reconhecimento da mulher como intelectual permaneceu obscurecido. Basta uma olhadela nos livros de história da filosofia e encontraremos inúmeras citações a filósofos ilustres, porém raras menções as mulheres filósofas. Chegamos, inclusive, a pensar que as mulheres não tinham tino para a filosofia ou que eram incapazes de grandes reflexões.

Certamente isto é uma grande injustiça. Contudo, a verdade é que o pensamento feminino por muito tempo foi relegado a segundo plano e, além de algumas pensadoras contemporâneas como Hanna Arendt e Simone de Beauvoir, só para citar as mais famosas, comumente pouco conhecemos da produção intelectual feminina. No entanto, elas estão presentes, a despeito de todas as barreiras que tiveram que enfrentar.

Houve uma grande filósofa que sempre me chamou muito a atenção, tanto por sua história, quanto por sua capacidade intelectual.

180px-Hypatia Você já ouviu falar em Hipácia de Alexandria? Se a resposta for negativa, não se envergonhe. Mesmo entre os filósofos acadêmicos muitos não a conhecem, embora tenha sido a maior dentro os filósofos de Alexandria no século I da era cristã.

Hipácia, nascida em 355 a.C., era filha de Theon, um respeitado filósofo, matemático e astrônomo, com o qual teve contato com o neoplatonismo e a sabedoria da época. Na sua adolescência viajou para Atenas para completar seus estudos, onde sobressaiu-se aos demais e, ao voltar para Alexandria, tornou-se professora da Academia de Alexandria, ocupando a cadeira que fora de Plotino. Posteriormente, Hipácia tornou-se Diretora da Academia e escreveu diversas obras que, infelizmente, na sua grande maioria foram perdidas na destruição da Biblioteca de Alexandria.

Hipácia foi famosa pelo seu fascínio pela lógica, a matemática e a astronomia. Muitos recorriam a sua sabedoria quando não conseguiam resolver problemas lógicos. Seu raciocínio era esplêndido.

No entanto, o século I, sob o reinado de Teodósio (379-392), era um verdadeiro caldeirão efervescente. Esta era uma época de transformação e afirmação do Cristianismo, onde a intolerância de uma religião antes intolerada era paradoxal.

Hypatia_Raphael_Sanzio_detail Hipácia não aceitava o Cristianismo e afirmava que sua fé estava na filosofia e seu casamento era com a verdade. Contudo, esta atitude gerou um forte desafeto com o patriarca Cristão Cirilo, que a via como uma herege a ser abatida.

Assim, Cirilo – que posteriormente foi canonizado pela Igreja Católica – lançou rumores entre os cristãos dizendo que a herege Hipácia influenciava o prefeito Orestes em decisões contra os cristãos.

Em 415 d.C., quando regressava do Museu, Hipácia foi reconhecida na rua e atacada por uma horda de cristãos enfurecidos. Suas roupas foram rasgadas e arrastaram-na pelas ruas da cidade até uma Igreja. Lá, seu corpo foi dilacerado e depois laçado a uma fogueira, tendo, tragicamente, seu trajeto interrompido pela intolerância.

Ainda assim, apesar da trágica história e da grande pensadora que foi, poucos a conhecem e raramente vemos alguma obra dedicada a estudá-la.

Certamente que nos dias de hoje o reconhecimento da mulher como intelectual está mais evidenciado e, embora alguns ainda insistam em adjetivá-las ridiculamente como “melancia”, “filé”, entre outros atributos de consumo descartáveis, a mulher continua mostrando a sua força e a sua capacidade. Sejamos inteligentes e não esperemos grandes tragédias para reconhecê-las.

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Filme sobre Hipácia para baixar:

http://cafesfilosoficos.wordpress.com/2010/02/26/agora-2009/

terça-feira, fevereiro 02, 2010

Atualidade

A polêmica Suástica

Guilherme Fauque

{8C23A336-C7CD-47FE-93E7-A7AC61916840}_suastica Recentemente surgiu uma discussão, levantada pela Federação Israelita do Rio de Janeiro (FIERJ), a respeito das suásticas tatuadas no braço do participante do Big Brother 2010, o gaúcho Marcelo Dourado.

Sabemos, infelizmente, o que a suástica representou para a vida de incontáveis judeus durante na Segunda Guerra Mundial. O preconceito, a perseguição e o genocídio em massa fizeram desta guerra, que teve como principal artífice o malfadado Adolf Hitler e o seu Nazismo, um episódio de puro terror e covardia. Tudo isso sob a égide da temerária suástica, símbolo máximo do Nazismo.

Contudo, a suástica nem sempre foi assim tão mal-vista. Antes da sua “destruição simbólica”, patrocinada pelo Nazismo, este ícone tinha grande importância em diversas culturas, tanto ocidentais quanto orientais.

250px-Owlvasetroy Pesquisando um pouco sobre a historia deste símbolo encontramos referências a figuras símiles datados de 4.000 a.C, esculpidas em vasos de cerâmica. Ainda encontramos símiles da suástica na antiga escrita européia “vinca”, além de objetos, datados da Idade do Bronze e do Ferro, no Azerbaijão e no Cáucaso. Posteriormente, ainda encontramos registros da suástica nos povos indo-arianos, hititas, celtas, gregos, nas culturas asiáticas, européias, africanas e indígenas americanas,Swastika_iran embora tenha sido a cultura oriental que a tenha mantido, principalmente como símbolo religioso. Mais modernamente, por exemplo, encontramos símiles da suástica no símbolo da Seicho-No-Ie, na Sociedade Teosófica e até no mapa do túnel da cidade de  Taipei, onde a localização do Templo é sinalizada por uma suástica.

A palavra suástica vem do sânscrito svástika (स्वस्तिक) e significa “aquilo que traz boa sorte”, onde a raiz “svas” quer dizer “bondade”. Ela representa a prosperidade , a boa sorte, saúde e a perfeição cósmica. A suástica budista, por exemplo, é como olhar a suástica nazista num espelho, ou seja, ela é invertida. Rezam as lendas que Hitler utilizou-a de forma invertida para atrair forças mágicas, que segundo dizem, envolviam a onda mística que permeava o Partido Nacional Socialista e a Sociedade do Tule.

Por outro lado, vemos a intenção da pureza ariana no uso deste símbolo. Os nazistas defendiam que a suástica tinha sido implantada na Índia pelos povos arianos e que a própria relação de castas havia sido uma maneira de preservar a raça pura.

Desta forma, a simbologia originária foi praticamente destruída aos Buddhistswastika olhos do senso comum. Basta vermos uma suástica e já nos arrepiamos até o último fio de cabelo, lembrando dos nazistas e, agora, dos neonazistas. E em grande parte das vezes não podemos negar que esta influência anti-semitica, racista e homofóbica realmente exista. Porém, o julgamento apressado também pode ser preconceituoso.

Se observarmos a tatuagem de Marcelo Dourado, vemos um desenho japonês, um Samurai, onde em seu hakama (aquele saiote que usam) estão impressas, minimamente, as suásticas. Será que a intenção era nazista? Ou estava incluída numa cultura oriental?

De qualquer forma, no ocidente o símbolo tomou conotações completamente malévolas devido à indevida associação ao nazismo. Infelizmente, não podemos pretender esvaziar, de uma hora para outra, toda a significação que a suástica assumiu no ocidente; aliás, talvez nunca possamos. Esclarecimentos são importantes, mas talvez um pouco de empatia por aqueles que sofreram o jugo da indevida utilização deste símbolo seja, no mínimo, uma questão de bom senso.

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