terça-feira, junho 30, 2009

Espinosa e o Homem Aranha: Uma analogia possível

Durante toda a minha juventude fui um assíduo leitor dos quadrinhos de super-heróis como X-Men, o Demolidor, Hulk, Capitão América, o Quarteto Fantástico e, é claro, o Homem-Aranha. Este, aliás, junto com o Demolidor, era o meu herói preferido devido a intrincada situação pessoal por trás da máscara.


Aliás, além das fantásticas aventuras, é claro, sempre houve outro aspecto subjacente que me fascinava nestes heróis: as questões éticas e morais. Ora, com todos os super-poderes que tinham, por que faziam o que faziam? Não era mais fácil simplesmente utilizarem suas aptidões em proveito próprio? Por que Peter Parker, ao invés de sofrer vendendo fotos para um jornal que o pagava muito mal, não aproveitava suas habilidades e ia ganhar dinheiro como guarda-costas da Madona? Por que, enfim, pensar nos outros quando poderia pensar em si mesmo e resolver seus problemas? Assim, das histórias em quadrinhos somos inevitavelmente transportados aos meandros da filosofia com suas perenes questões referente a vida num todo.


Nestes meandros resolvi fazer uma pequena brincadeira comparando dois personagens ímpares para mim; na ficção, o Homem Aranha, é claro, como já anunciei acima a minha empatia por este herói. Já na vida além dos quadrinhos, Baruch Espinosa, do qual tenho imensa admiração.

Já imagino o que dirão meus colegas filósofos aqui do Sul: Bah, mas que loucura é esta tchê? Homem-Aranha e Espinosa?


Ora, guardada as devidas proporções, os dois tinham muito em comum! Por exemplo, dizem as más línguas por aí que Espinosa era fissurado por aranhas, embora, tá certo, de uma maneira um tanto diferente de Peter Parker.


Conta-se que um de seus “esportes” favoritos era assistir um “vale-tudo” de aranhas. Colocava duas aranhas juntas e as assistia digladiando-se, rindo a valer deste embate... coitada das aranhas.


Embora este sadismo com as coitadas das aranhas, fato que talvez Freud pudesse interpretar maliciosamente, Espinosa foi um profundo pensador que se propôs as mais intrincadas questões humanas. Aliás, da mesma maneira também foram intrincadas suas teorias para estas questões, de tal forma que muitos de seus contemporâneos diziam que seus pensamentos enredavam os incautos como as teias de uma aranha predatoriamente enredava suas presas. Certamente que Espinosa não era bem visto na sua época, afinal, desafiou o padrão de pensamento da época e atacou até a concepção vigente de Deus, mostrando a inexistência deste Deus que Nietzsche posteriormente afirmou que havia morrido. Por sua vez, o Homem-Aranha nunca atacou Deus e nem as concepções filosóficas de sua época... seus ataques eram menos metafísicos e mais sociais. O crime e a injustiça eram seus alvos, embora para isto apoiasse-se em regras morais arraigadas e não raciocinadas, aliás, talvez por isso elas o atormentassem em tantos episódios.


Outro ponto que me chama a atenção é que o Homem-Aranha poderia utilizar seus poderes para o ganho financeiro, aliás, até que ele chegou a “flertar” com isto no começo de carreira aracnídea, quando descobriu seus poderes e tentou ganhar uma graninha fácil num ringue de lutas. Mas, ele logo percebeu que este não era o caminho e desde então sempre utilizou seus poderes a favor de seus ideais. Da mesma forma, Espinosa poderia ter sido um rabino, mas enfrentou a tradição e aceitou seu destino ao ser expulso do meio de seu povo, ao defender as suas ideias. Posteriormente, ainda foi convidado a se tornar um professor universitário de filosofia, de forma que poderia mudar a sua humilde condição de polidor de lentes. Mesmo assim, Espinosa preferiu continuar polindo lentes a ter que renegar a liberdade de pensar por si mesmo. Ambos preferiram desafiar o comum e prol da liberdade de seguir a sua natureza.


No entanto, o ponto fundamental que está premente entre os dois é a Ética! Salta aos olhos a necessidade ética de um jovem herói como o Homem-Aranha, que mesmo no momento mais conflituoso de sua vida, onde não sabia mais o porquê de dedicar-se tanto pelos outros a ponto de não ter tempo nem para conquistar a mulher amada, e, então, resolve, largar a vida de herói; no entanto não chegou nem a cogitar a possibilidade de utilizar-se de seus poderes para fins espúrios. Isto, inclusive, me faz lembrar de um outro momento, num quadrinho, que Peter Parker está no túmulo de seu tio Ben Parker, perdido em pensamentos, quando ouve as sirenes dos carros de polícia e, naquele momento, pensa: “Não, agora não! Por que não posso simplesmente ficar aqui?” Mas, ele sabe que não pode fugir de sua consciência ética e assim lança-se no combate ao crime.


Da mesma forma Espinosa mostra a importância da ética, de tal forma que seu principal livro intitula-se Ethica. Portanto, este era um assunto fundamental para Espinosa, embora, e aqui se afastam um pouco, não como uma ética reduzida a regras de conduta, mas sim uma ética calcada na busca da felicidade, que, certamente, reaproxima-os novamente.


Enfim, poderíamos realizar várias outras comparações entre Baruch Aranha e Homem-Espinosa, quer dizer, Baruch Espinosa e Homem Aranha, além de também poder enfatizar as grandes diferenças, como a própria questão do que é o bem e o mal para Espinosa. No entanto, preferimos permanecer na brincadeira de juntar a ficção com a realidade na semelhança entre dois grandes heróis e suas buscas éticas.


Guilherme R. Fauque

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Dica de Leitura:

IRWIN, Willian. Os Super-Heróis e a Filosofia. São Paulo: Madras, 2005.


sábado, junho 20, 2009

O HERÓI BARACK OBAMA?

Recentemente saiu na mídia um videozinho muito engraçado, feito pela JibJab, mostrando que a febre "Obama" continua atingindo a mídia. É interessante ver esta explosão midiática e todas as esperanças jogadas neste novo governo americano e Obama, inteligentemente, está sabendo utilizar o poder da mídia e da opinião pública a seu favor.

Este videozinho é um exemplo disto. Obama aparece selando a paz no Oriente, derrotando derrotistas e vencendo a crise econômica. A verdade é que muitas expectativas estão sendo depositadas neste governo americano e sabemos que não será tão fácil assim solucionar os problemas, ainda mais diante das novas realidades e desafios que se apresentam frente a este governo.

De qualquer forma... por que não sonhar um pouco? Este video, além de produzir boas gargalhadas com as imagens deste "super-Obama" (aliás, com destaque para suas grandes orelhas), apresenta as esperanças do povo americano nas soluções que o Governo Obama pode trazer para o mundo.

Vejam o vídeo:

Try JibJab Sendables® eCards today!

sábado, junho 13, 2009

QUADRINHOS CÔMICOS

Olá pessoal

Estava lendo o blog Spinoza e Amigos (http://spinozaeamigos.blogspot.com/) do Ricardo, e acabei conhecendo "por tabela" um excelente blog, indicado por ele, sobre tiras cômicas que tem como personagem principal Deus. É hilário! Vale a pena conhecer o trabalho de blog intitulado "Um sábado qualquer...".

Abaixo deixo como exemplo três tiras que achei muito legal, falando de Nietzsche e Deus, e logo após o endereço do blog.

OBS: Clique na figura para vê-la em tamanho maior. Depois é só clicar no "voltar" de seu navegador para retornar a esta página.









ENDEREÇO DO BLOG: http://www.umsabadoqualquer.com/

sábado, junho 06, 2009

OS JUDEUS MATARAM JESUS CRISTO?

Recentemente houve um alvoroço na mídia com a visita de Bento XVI as regiões conflituosas do Oriente Médio. Temia-se um posicionamento parcial de um papa considerado por muitos como extremamente ortodoxo e inflexível. No entanto, o que vimos foi uma posição reconciliadora objetivando a paz, aliás, como realmente se deveria esperar de uma autoridade religiosa do porte de um Papa. Infelizmente não se pode dizer o mesmo de outras autoridades dentro desta mesma instituição, que insistem em trazer a tona observações capciosas que em nada contribuem com o grande esforço diplomático apresentado no Oriente Médio.

Refiro-me a um recente e falacioso questionamento realizado por uma autoridade religiosa local que questionava, em um dos seus breves comentários no jornal, o porquê de as autoridades israelenses não pedirem desculpas ao papado pelo deicídio de Jesus, assim como a Igreja Católica havia feito quanto a sua omissão perante o assassinato de 6 milhões de judeus no Holocausto.

Ora, além de uma comparação de extremo mau gosto, esta é uma pergunta profundamente capciosa, pois tem como premissa uma afirmação incontestável de que os judeus foram os responsáveis pela morte de Jesus Cristo. E não foram? Talvez você me pergunte. Bem, isto é o que sempre quiseram que acreditássemos. Mas, vamos refletir com mais calma sobre alguns pontos antes de assumirmos uma posição apressada que possa levar a raciocínios preconceituosos, justamente como esta “afirmação” mascarada de questionamento.

Primeiramente, e, pasmem, muitos não sabem disto, Jesus era judeu! Se aceitarmos a premissa de que a existência de Jesus é uma realidade histórica, temos que aceitar como fato histórico também que Jesus era um judeu praticante, que freqüentava o templo e seguia as leis na medida em que estas não sobrepusessem o bem estar humano. Jesus, inclusive, afirmou enfaticamente que não havia vindo para destruir a lei ou os profetas, mas sim cumprir a lei (Mateus 5:17). Da mesma forma era claro que seus discípulos também eram judeus, Maria, sua mãe, era judia e José, seu pai era judeu. O próprio cristianismo, após a morte de Jesus, mostrou-se uma seita judaica que só começou a aceitar não-judeus em seu meio a partir das pregações de Paulo de Tarso. Devemos lembrar que seitas não eram incomuns na época. Haviam judeus fariseus, filisteus, nazarenos, essênios, entre outros, e o cristianismo começou desta forma. Além disso, devemos lembrar também que Jesus foi preso e “julgado” no Sinédrio durante a comemoração do Pesach (a Páscoa Judaica), uma data em que não se realizavam julgamentos. Portanto, o Sindédrio não devia ter mais que meia dúzia de pessoas e não cheio de judeus, gritando e escarrando em Jesus, como alguns acreditam. Mesmo assim, vemos que havia entre eles quem defendesse o Cristo. Isto está documentado na Bíblia! Obviamente não podemos negar que Jesus tinha inimigos entre o seu povo, os judeus. No entanto, estes inimigos não eram todos os judeus, mas alguns sacerdotes de pensamento engessado, não muito diferente de muitos que encontramos atualmente nas mais diversas religiões e este pseudo-julgamento realizado em pleno Pesach, já mostrava a má intenção de alguns contra Jesus.

Posteriormente, nos conta a Bíblia, a responsabilidade foi levada a Pilatos e Jesus julgado e crucificado. Só até aqui já poderíamos nos dar por satisfeitos em dizer que, logicamente, não podemos cometer o impropério de querer julgar todos os judeus, assim como não o faríamos com todos os cristãos pelas atrocidades da inquisição, ou todos os alemães pelos 6.000 milhões de judeus mortos no Holocausto. Sabemos que isto não tem cabimento!

No entanto, há ainda outra questão a levantar para finalizarmos nossa argumentação.

Jesus foi crucificado e se pensarmos um pouco, qual era a maneira que os judeus executavam seus inimigos e os inimigos da lei? Através do apedrejamento, assim como foi feito com Estevão, ou como pretendiam fazer com Maria Madalena, se não fosse a intervenção de Jesus. Portanto, a morte na cruz era uma prática romana e não judaica! Jesus foi morto pelos romanos e não pelos judeus, mesmo que meia dúzia de judeus tenham compactuado para que isto acontecesse.

Porém, ao longo de mais de 2.000 anos de história, os judeus foram julgados, perseguidos e mortos devido a estas acusações; e mesmo depois de grandes esforços dos últimos papas na tentativa de aproximar as duas religiões, ainda assim alguns religiosos numa profunda estreiteza mental simplesmente julgam um povo inteiro e atiram pessoas inocentes nas garras da intolerância e do antisemitismo.

Guilherme R. Fauque
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DICA DE LEITURA:

VERMES, Geza. A Paixão. Rio de Janeiro: Editora Record, 2007.

quarta-feira, junho 03, 2009

Baruch Spinoza por Claudio Ulpiano

Este video é sobre a liberdade na filosofia do judeu Baruch Spinoza. Muito bom! Vale a pena assistir!

Cláudio Ulpiano consegue expor com maestria o básico da epistemologia de Spinoza.



2ª Parte:

terça-feira, junho 02, 2009

A FILOSOFIA DE DESCARTES

Muito legal este video sobre Descartes. Muito legal a edição de imagens, som e partes da filosofia de Descartes.

Vale a pena assistir.

História da Filosofia em 3 minutos

História da filosofia em 3 minutos! Muito bom e engraçado! Está em inglês, mas com as legendinhas embaixo, mesmo em inglês, fica compreensível.

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