quinta-feira, julho 09, 2009

O PRAZER DE ESCREVER

Escrever para mim é um prazer. Adoro brincar com as palavras! Talvez eu tenha herdado este gosto do meu avô, não sei... talvez seja fruto de minha infância criativa ou da insistência em não sufocar a criança que existe em mim... de qualquer forma, associo escrever com um ato de libertar a criatividade dos grilhões da sistematicidade exagerada.

Tá certo, nunca fui um bom pensador analítico; a exatidão exagerada sempre me entediava. Preferia a capacidade de brincar com o desconhecido, com as perguntas que não tem uma resposta exata e matemática, e isto sempre me causava diversos problemas. Como consequência, não era o tipo de aluno ideal para uma sala de aula. Porém eu amava aprender, embora minha atenção não fosse apreendida pelas disciplinas de sala de aula. Na verdade, o que me fascinava eram as palavras e os mistérios por trás do que elas tinham para dizer! Comprava livros e mais livros, adorava ler e colecionar citações. Tinha vontade de escrever, aliás sempre tive... mas, ao mesmo tempo esbarrava na rigidez da construção de um texto, que tinha que ter regras definidas, estrutura, lógica, um determinado padrão, cuidado com frases e outros detalhes. Isto tudo aliado a uma timidez adquirida na infância, me impediam de soltar a criatividade e colocar no papel os meus pensamentos. No entanto, descobri o prazer de escrever quando comecei a cursar filosofia e a receber o incentivo de professores que elogiavam minha criatividade e escrita.

Foi, então, durante uma aula de formação para o ensino de filosofia que o professor Gerson L. Trombetta, especialista em Filosofia da Arte, lançou um interessante desafio que me levou descobrir um fascinante exercício de escrita. Isto mexeu profundamente com minha criatividade e imaginação, fazendo-me retomar aquela alegria de imaginar e pesquisar com diversão e não por pura obrigação. Este professor nos desafiou a escrever um texto sobre qualquer parte de um filme que ele apresentara na sala de aula. Não deu um problema filosófico específico, mas nos incentivou a descobrir algum e escrever livremente sobre ele. Esta liberdade me deu um imenso prazer e comecei a estendê-la à outras coisas. Logo comecei a escrever pequenos textos e brincar com esta possibilidade. Por exemplo, pegava um filme qualquer, assista uma vez para se ambientar e pensava em algo relacionado a este filme. Se fosse necessário, assistia uma segunda vez para reter mais alguns detalhes. Digamos, por exemplo, que olhasse um filme do Hulk. Daí poderia surgir um pequeno texto sobre a capacidade psicológica de mudarmos completamente nosso jeito de ser em determinadas ocasiões. Por um momento o rapaz se apresentava como uma boa pessoa franzina, agradável, amiga, mas que em outro momento poderia se transformar em um horrendo monstro verde inconsciente de seus atos. Ora, isto não deixava de me lembrar nossas próprias atitudes perante determinadas ocasiões, onde por algum motivo perdemos o controle e nos transformamos completamente, até esteticamente! Você já experimentou se olhar no espelho quando está irado? E assim foram fluindo ideias e mais ideias, e junto com elas o prazer de brincar com as palavras, com as metáforas, com os textos e com as coisas da vida.

Entendi, então, que escrever é deixar a criatividade soltar-se, seguindo as linhas de um raciocínio do qual nos traz alegria e diversão durante o processo. Obviamente que já ouvi falar que para alguns é um parto. Mas para mim, escrever só era assim quando precisava refrear minha criatividade para obedecer os padrões acadêmicos. Neste momento eu tinha que castrar minhas ideias mais audazes, refrear o impulso dos pensamentos brincalhões e seguir um sistema. Este momento é doloroso. Então, eu deixo escapar um e outro pensamento mais ousado para o ato não se tornar insuportável. Sei que toda escrita exige que haja alguma coisinha lá dentro que o incomode para dar origem ao impulso de escrever. Rubem Alves até intitulou um de seus livros como: “Ostra feliz não faz pérola”. O que ele queria dizer era que para a ostra produzir a pérola, era necessário que houvesse um pequeno graõzinho de areia a irritando, então, para arredondar as arestas que a incomoda, a ostra faz a pérola. Bela metáfora. Mas não devemos esquecer de uma coisa... este grão é um intruso, é um estímulo de fora que entra para dentro e ali começa a cutucar e irritar. Este grão de areia é a ideia impulsionadora, o intruso externo que entra cutuca e exige ser polido até ser expelido como uma pérola.

Mas, de qualquer forma, escrever é um ato de estar consigo mesmo, a sós por alguns momentos. Um romance as escondidas, sexo entre quatro paredes, você e as letras num descobrir tateante e transbordante donde surge no papel aquilo que brota do interior, transbordante como uma ejaculação vulcânica, dando solidez ao que antes não passava de uma ideia. Aliás, é interessante observar como neste momento fluem os pensamentos e palavras que muitas vezes nem tínhamos nos dado por conta que elas estavam ali, presas em dentro de nós. Talvez seja como Rubem Alves disse, em uma de suas crônicas, que quando começa a escrever, deixa de ser dono de si mesmo. As ideias passam a dominar e a se formar por si mesmas.

Seja como for, escrever é um ato criativo e libertador. É um desabrochar daquilo que é um dos bens mais preciosos da nossa história, a escrita. Quer escrever? Solte sua criatividade, escreva sem preocupação, brinque com as palavras. Eu adoro fazer isto.

Guilherme Fauque

2 comentários:

Ricardo disse...

Caro Guilherme:
Apesar de engenheiro, por formação, sempre tive muita atração pela leitura e pela escrita. Hoje, mudada minha área de atuação, escrevo muito do que outros pensam... sem nunca esquecer de deixar uma suave marca do que há em mim, enquanto a mensagem circula dos meus ouvidos até a minhas mãos.
Entretanto, em vez de textos formais, com quantidades de laudas necessárias, hoje vemo-nos livres nos textos dos blogs. Liberdade pura! Viva!
E... continuemos assim: blogueando!

Rita Kassia disse...

Adorei muito me ajudou na pesquisa sobre escrita por prazer.

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