quarta-feira, julho 29, 2009

INTOLERÂNCIA CULTURAL NA UNESCO?

A UNESCO, Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, fundada em 1945, que visa criar genuínas condições de diálogo entre os países nas questões éticas, sociais e culturais, periodicamente, como toda instituição democrática, institui novos dirigentes para assumir a frente de suas atividades.

Assim, naturalmente, espera-se que alguém com credenciais apropriadas assuma o cargo de presidente da UNESCO; alguém que tenha em mente, primeiramente, o bem-estar da humanidade neste que é o seu respectivo campo de atuação.

Desta feita, por ser um cargo de responsabilidade mundial, a escolha de um representante da UNESCO deve ser feita cuidadosamente e repensando, sempre, os objetivos primordiais e essenciais desta organização.

Então, o que você diria da indicação de um candidato, como o egípcio/árabe Farouk Hosni, que tivesse na sua bagagem afirmações como “eu queimaria pessoalmente qualquer livro israelense que se encontrasse nas bibliotecas do Egito”? Isto vindo de alguém que pretendo um cargo relacionado à cultura!

Também podemos creditar a sua verborréia as seguintes afirmações de que “falta uma cultura autêntica para Israel e para os judeus, mas eles roubam a herança dos outros”, e de que “a cultura israelense é uma cultura desumana. É uma cultura agressiva, racista e arrogante, e é baseada em roubar os direitos de outro povo, e se recusar a reconhecer estes direitos”, “[...] eles devem ser tratados no mesmo nível de abominação”, além de muitas outras afirmações de igual ou pior teor que visam nada mais do que instituir o preconceito e o ódio.

No entanto, ao acessarmos o site da UNESCO, lá encontramos afirmado que esta compromete-se em criar condições de diálogos com bases no respeito e dignidade de cada civilização e cultura, principalmente em face ao terrorismo. Ora, mas estas afirmações proferidas por Farouk Hosny, além de muitas outras de igual ou pior calão, como já falamos anteriormente, mostram no mínimo um contra-senso com o que se espera de um diretor-chefe da UNESCO. Não obstante, este é um forte candidato, apoiado, inclusive, pelo nosso Brasil que, em vistas de melhorar as relações com os países árabes, decidiu indicá-lo em detrimento da nomeação do candidato brasileiro Márcio Barbosa.

Entendo que é ingênuo, no meio político, exigir imparcialidade política nas relações mundiais. No entanto, entidades como a ONU, a UNESCO, entre outras de caráter MUNDIAL, deveriam ser vistas como instituições de amparo à humanidade e não de relações unilaterais, em prol de favores políticos egoístas à favorecer este ou aquele país. Por isso, penso que devemos puxar pela consciência e pensarmos seriamente no peso que tal apoio pode suscitar a nível mundial, para, quem sabe, evitarmos o que pode ser um grande retrocesso cultural.

Guilherme Fauque

3 comentários:

Efigênia Coutinho disse...

Então, o que você diria da indicação de um candidato, como o egípcio/árabe Farouk Hosni, que tivesse na sua bagagem afirmações como “eu queimaria pessoalmente qualquer livro israelense que se encontrasse nas bibliotecas do Egito”? Isto vindo de alguém que pretendo um cargo relacionado à cultura!

Guilherme Fauque, está sua postagem, deveria ser lida por todos aqueles que se dizem peritos : intelectuais: , e ver que nem tudo sâo flores na UNESCO.

Meus cumprimentos ,
Efigênia Coutinho
Escritora

CHRISTINA MONTENEGRO disse...

Que bom que comentou...acompanhava essa história assustadíssima...Fico muito envergonhada, pois a minha indignação também anda desenergizada; eu deveria estar nas ruas, juntando gente para debater essas questões...e não estou.

Me limito a pensar e a escrever; pelo aspecto da responsabilidade, é MUUUUUITO pouco, infelizmente.

Sinal dos tempos, em sentido múltiplo: minha idade já é outra, e historicamente não estamos em tempo de juntar ninguém que não entenda autonomamente - que não só deveria estar junto -, como PODERIA estar junto: ou é pela autonomia, ou não é.

'Arrebanhar gente' não provoca mudança, não gesta senso crítico; se assim o fosse, a sociedade de massa estaria avançadíssima, e cretinos como o Sr. em pauta teriam mais cuidado ao proferir suas cretinices, antes de pretender cargos como o que lhe foi PROPOSTO...por uma (enigmática?) UNESCO.

Uff! Tem horas que dá um cansaço, não?...

Ricardo disse...

Caro Guilherme:
É impressionante, primeiramente, que uma pessoa que deve ser um intelectual tenha uma avaliação tão pouco crítica, rendendo-se ao mais absurdo preconceito proveniente apenas de uma divergência de opiniões religiosas.
A proposta de "queimar livros" é tão anacrônica e tão "batida" em regimes totalitaristas (religiosos ou políticos), que eu pensaria não ouvi-la mais em lugar nenhum, principalmente de alguém ligado a cultura.
É, realmente, uma lástima que haja alguém pensando assim; lástima maior é essa pessoa ser um "intelecutal" e lástima maior ainda é essa mesma pessoa ser indicada para um órgão internacional de promoção da cultura.
Parabéns pelo registro, amigo.

On-Line Translator