quarta-feira, julho 01, 2009

AS DIVINAS MULHERES DE TEERÃ

Aconchegado em meu sofá, estico a mão para apertar o botão do controle da TV e assistir, no canal de notícias, o que anda acontecendo neste mundão afora. Mesmo estando distante das disputas ferrenhas n’outras partes do mundo, ainda assim assisto incrédulo as tristes imagens de uma jovem sendo morta por protestar a favor dos direitos das mulheres de Teerã. As imagens foram tão chocantes que me fizeram lacrimejar ao pensar no paradoxo de nossas situações. Enquanto estou aqui, no aconchego do meu lar, esta jovem é brutalmente assassinada devido ao regime facínora de Mahamoud Ahmadinejad. Me sinto impotente. Porém, ao mesmo tempo reflito no papel do filósofo e compreendo que não é o de ativista político ou de soldado de front de batalha, mas sim o de fomentador de idéias e reflexões, tendo como arma as palavras, sejam escritas ou faladas. Decido, então, que o melhor que posso fazer é escrever!


O regime político do Irã, dominado por uma intolerante e facínora teocracia que tem como líder supremo o aiatolá Ali Khamenei e o famigerado Ahmadinejad como presidente, aquele mesmo que veementemente nega a ocorrência do Holocausto que matou cerca de 6 milhões de judeus, mostra toda a brutalidade que a falta de consciência política e liberdade de expressões pode levar.


Neda Agha Soltan, 26 anos, filósofa, protestava contra a situação depreciativa que vivem as mulheres sob o regime dos aiatolás quando foi fatalmente alvejada por um tiro que lhe tolheu, em segundos, todos os sonhos pela igualdade de direitos das mulheres. E se não bastasse a dor da morte que a família teve que enfrentar, ainda o governo despejou de casa a família de Neda, em Teerã, e, segundo contaram vizinhos para o jornal The Guardian, o corpo da jovem não havia sido devolvido à família e o velório ou qualquer outra cerimônia estritamente proibida de se realizar nas mesquitas. Aliás, consta que ela já até havia sido enterrada sem o consentimento da família! Pensem, caros amigos, na situação desta família!


No entanto, apesar das atrocidades, Neda (que significativamente quer dizer voz na língua local) não foi calada, pois tornou-se uma mártir da luta pela liberdade e igualdade de direitos. Neda, agora, é o grande ícone dos protestos no Irã, apesar de todas as tentativas contrárias do poder político iraniano de abafar as vozes das manifestantes, trazendo sanções de todos os tipos, inclusive fiscalizando duramente toda forma de comunicação na Internet. Porém, Neda tornou-se a voz dos manifestantes e a luta toma uma proporção ainda maior agora. Só o que me pergunto é o porque das mudanças precisam ser tão doloridas? Por que somos tão inflexíveis em nossas opiniões? Levantemos as mãos a democracia e lutemos por ela!


Guilherme R. Fauque

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Clique aqui para assistir o vídeo.

Optei por não colocá-lo no blog por achar que a cena é muito chocante. Portanto você será direcionado para o youtube e provavelmente tenha que entrar com algum tipo de verificador de idade, etc, para poder assistir.


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