sábado, junho 06, 2009

OS JUDEUS MATARAM JESUS CRISTO?

Recentemente houve um alvoroço na mídia com a visita de Bento XVI as regiões conflituosas do Oriente Médio. Temia-se um posicionamento parcial de um papa considerado por muitos como extremamente ortodoxo e inflexível. No entanto, o que vimos foi uma posição reconciliadora objetivando a paz, aliás, como realmente se deveria esperar de uma autoridade religiosa do porte de um Papa. Infelizmente não se pode dizer o mesmo de outras autoridades dentro desta mesma instituição, que insistem em trazer a tona observações capciosas que em nada contribuem com o grande esforço diplomático apresentado no Oriente Médio.

Refiro-me a um recente e falacioso questionamento realizado por uma autoridade religiosa local que questionava, em um dos seus breves comentários no jornal, o porquê de as autoridades israelenses não pedirem desculpas ao papado pelo deicídio de Jesus, assim como a Igreja Católica havia feito quanto a sua omissão perante o assassinato de 6 milhões de judeus no Holocausto.

Ora, além de uma comparação de extremo mau gosto, esta é uma pergunta profundamente capciosa, pois tem como premissa uma afirmação incontestável de que os judeus foram os responsáveis pela morte de Jesus Cristo. E não foram? Talvez você me pergunte. Bem, isto é o que sempre quiseram que acreditássemos. Mas, vamos refletir com mais calma sobre alguns pontos antes de assumirmos uma posição apressada que possa levar a raciocínios preconceituosos, justamente como esta “afirmação” mascarada de questionamento.

Primeiramente, e, pasmem, muitos não sabem disto, Jesus era judeu! Se aceitarmos a premissa de que a existência de Jesus é uma realidade histórica, temos que aceitar como fato histórico também que Jesus era um judeu praticante, que freqüentava o templo e seguia as leis na medida em que estas não sobrepusessem o bem estar humano. Jesus, inclusive, afirmou enfaticamente que não havia vindo para destruir a lei ou os profetas, mas sim cumprir a lei (Mateus 5:17). Da mesma forma era claro que seus discípulos também eram judeus, Maria, sua mãe, era judia e José, seu pai era judeu. O próprio cristianismo, após a morte de Jesus, mostrou-se uma seita judaica que só começou a aceitar não-judeus em seu meio a partir das pregações de Paulo de Tarso. Devemos lembrar que seitas não eram incomuns na época. Haviam judeus fariseus, filisteus, nazarenos, essênios, entre outros, e o cristianismo começou desta forma. Além disso, devemos lembrar também que Jesus foi preso e “julgado” no Sinédrio durante a comemoração do Pesach (a Páscoa Judaica), uma data em que não se realizavam julgamentos. Portanto, o Sindédrio não devia ter mais que meia dúzia de pessoas e não cheio de judeus, gritando e escarrando em Jesus, como alguns acreditam. Mesmo assim, vemos que havia entre eles quem defendesse o Cristo. Isto está documentado na Bíblia! Obviamente não podemos negar que Jesus tinha inimigos entre o seu povo, os judeus. No entanto, estes inimigos não eram todos os judeus, mas alguns sacerdotes de pensamento engessado, não muito diferente de muitos que encontramos atualmente nas mais diversas religiões e este pseudo-julgamento realizado em pleno Pesach, já mostrava a má intenção de alguns contra Jesus.

Posteriormente, nos conta a Bíblia, a responsabilidade foi levada a Pilatos e Jesus julgado e crucificado. Só até aqui já poderíamos nos dar por satisfeitos em dizer que, logicamente, não podemos cometer o impropério de querer julgar todos os judeus, assim como não o faríamos com todos os cristãos pelas atrocidades da inquisição, ou todos os alemães pelos 6.000 milhões de judeus mortos no Holocausto. Sabemos que isto não tem cabimento!

No entanto, há ainda outra questão a levantar para finalizarmos nossa argumentação.

Jesus foi crucificado e se pensarmos um pouco, qual era a maneira que os judeus executavam seus inimigos e os inimigos da lei? Através do apedrejamento, assim como foi feito com Estevão, ou como pretendiam fazer com Maria Madalena, se não fosse a intervenção de Jesus. Portanto, a morte na cruz era uma prática romana e não judaica! Jesus foi morto pelos romanos e não pelos judeus, mesmo que meia dúzia de judeus tenham compactuado para que isto acontecesse.

Porém, ao longo de mais de 2.000 anos de história, os judeus foram julgados, perseguidos e mortos devido a estas acusações; e mesmo depois de grandes esforços dos últimos papas na tentativa de aproximar as duas religiões, ainda assim alguns religiosos numa profunda estreiteza mental simplesmente julgam um povo inteiro e atiram pessoas inocentes nas garras da intolerância e do antisemitismo.

Guilherme R. Fauque
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DICA DE LEITURA:

VERMES, Geza. A Paixão. Rio de Janeiro: Editora Record, 2007.

6 comentários:

Ricardo disse...

Guilherme:
A religião cristã e sua história, por incrível que pareça, são muito pouco conhecidas pelos seus fiéis.
A família de minha esposa é de católicos - em sua maioria -, mas quem explica várias ideias da religião sou eu, que sou ateu. Rsss.
Também, ninguém teve a sorte de ler o primeiro tratado exegético formal, o "Tratado Teológico-Político", de Spinoza, como eu. Se bem que, se o lessem, talvez mudassem muitas de suas opiniões. Rsss.
É interessante, além do que você já colocou, que o Cristianismo chega a ser chamado de Paulinismo, por conta da "ênfase" de Paulo de Tarso em divulgar a doutrina de Jesus entre os gentios, ao contrário de Pedro, que pretendia que esta permanecesse entre os judeus, apenas acrescentado o evento da chegada do Messias.
Há de se ressaltar, entretanto, que a escolha do povo judeu pelo "revoltoso" Barrabás, em detrimento do "amoroso" Jesus, possibilitou a eliminação do nazareno, conforme desejavam os clérigos poderosos do judaísmo, bem como aliviava a pressão sobre os romanos da existência de um possível "Rei dos Judeus", que viesse exigir o direito à liberdade do seu povo.
Fora esse "pequeno detalhe", acho que o povo judeu já sofreu, ao longo da história da humanidade, mais do que qualquer outro povo. Não falo apenas do extermínio durante a Segunda Guerra. Basta ler sobre os antepassados de nosso querido Spinoza e veremos o quão "violentados" eles foram ao longo dos séculos, sofrendo perseguições e abusos quanto à negação de sua crença.
Ótimo texto, o seu.
Abraços.

joao carlos disse...

Foram os judeus que trabalharam para que o fim fosse a morte de Jesus eles agiram de forma para que se chegasse a este fim que era o verdadeiro proposito de o matarem ,os romanos apenas o executaram ,tanto que Pilatos tentou mudar este rumo dizendo que os judeus o julgassem conforme a lei judaica ,porem não querendo levar a culpa por ser a época da pascoa os covardes insistiram que que Pilatos o julgasse ,sendo Jesus levado a Herodes que também não o quis condena-lo ficando então nas mãos de pilados que apenas ordenou o que os judeus queriam ,tanto que ele disse quem vos quereis que seja liberto Jesus ou Barrabás ,e os judeus gritaram soltem Barrabás ,neste momento diz Pilatos lavo as minhas mãos do sangue deste inocente ,os judeus disseram ,que seu sangue caia sobre nos e nossos filhos

Guilherme R. Fauque disse...

Essa é a maneira mais fácil e comoda de se pensar a questão, João Carlos. Mas existem muitas inconsistências nisto.

Anônimo disse...

Agora olhando para o outro lado, só esqueceram de falar dos milhares de mortos que fizeram... Vamos à lista:

1.Babilônia e guerras antigas, exterminando populações inteiras.
2.Cristãos, a perseguição aos cristãos foi por pura vontade dos judeus, para se ter uma ideia cristãos eram utilizados como combustíveis de tocha por esses monstros.
3. Depois de se aliarem aos romanos para matarem milhões de cristãos, eles conseguiram fazer mais um extermínio de romanos.
4. Esse povo é tão santo que na revolução de Bar kockba eles acabaram se matando, mais alguns milhares para a conta dos judeus.
5. Rússia: Revolução Russa com mais de 20 milhões de mortos. Quem estava por trás ?
6. Segunda Guerra Mundial, depois de humilharem o povo alemão, iniciaram embargos comerciais, grupos judeus protestavam e cobravam altas multas do povo alemão.
7. Israel e o massacre aos árabes não judeus: Se você tem uma terra ela é sua certo ? Não para o povo superior judeu, a terra é deles. Ah mas pelo menos os que foram expulsos ganharam alguma indenização desse povo rico? Não, pois eles são "goyms" e inferiores.

Se satirizam Maomé é liberdade de expressão, agora se a sátira é a Kabala e o sionismo é perseguição.
Se morre um judeu por causa da religião é a volta do holocausto(o fim da picada), centenas de cristão são mortos anualmente e é apenas fato cotidiano.

É no mínimo estranho que um povo a todo lugar que ele vá à mais de 4 mil anos, é odiado em todo o canto. Veja esse lado da moeda também.

Anônimo disse...

Concordo plenamente com o Anonimo acima!!!!

Anônimo disse...

Concordo plenamente

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