terça-feira, março 31, 2009

BIG BROTHER: “NOSSOS HERÓIS”

Embora não seja um assíduo telespectador do programa global Big Brother, a insistente divulgação midiática, além dos próprios comentários de amigos e parentes, torna inevitável o contato com “a casa mais vigiada do Brasil”.


Entre uma olhadela e outra observei um fato que me chamou a atenção. O apresentador do programa referiu-se aos participantes como “heróis” e isto me levou a pensar na significação desta palavra visivelmente banalizada.


Etimologicamente, herói provém do grego heros que, seguindo o bom e velho Aurélio, significa: homem extraordinário pelas suas qualidades guerreiras, triunfos, valor ou magnanimidade. Portanto, um herói é aquele que transcende o seu habitual para lutar por um ideal de virtudes. Esta luta nem sempre precisa ser externa, é claro. Definitivamente temos grandes exemplos de heróis que empreenderam uma heróica luta contra, por exemplo, um câncer. No entanto, nosso foco aqui está no herói externalizado, como um exemplo a seguir. Este conceito é claramente normativo que além de caracterizar o herói, também nos permite vislumbrar como este deveria ser.


Portanto, o herói se apresenta a nós como alguém dotado de capacidade de superação por um ideal nobre e virtuoso; e aí surge a pergunta de um milhão de reais: os brothers do programa seriam heróis no que? Heróis por suportarem-se numa casa de dar inveja a qualquer cidadão brasileiro mediano? Heróis por comerem e beberem do bom e do melhor, regado a belas festas com visitas de artistas famosos? Herói por agüentarem os egos sobressalentes uns dos outros para ganhar um milhão de reais? Obviamente não podemos negar uma questão de superação pessoal. Mas, não seria exagero chamá-la de heróica?


A concepção de herói, como diz Tom Morris e Jeph Loeb no ensaio “Heróis e Super-Heróis” do livro “Super-Heróis e a Filosofia” da conhecida coleção de William Irwin, tem um certo poder sobre nós, pois apresenta-nos algo a aspirar na vida (p.27). Assim como os heróis dos mitos gregos, como Perseu, Hércules, entre outros tantos, as histórias heróicas modernas nos motivam e guiam nossos passos dando-nos força moral. Os heróis são, antes de tudo, grandes exemplos a seguir como as tochas que iluminavam a saída da Caverna de Platão. E por isso ainda prefiro ver como herói alguém como o Mahatma Ghandi, que lutou passiva e heroicamente pela independência da Índia, do que alguns pseudo-heróis descartáveis e momentaneamente famosos que vemos na mídia.


Guilherme R. Fauque

atonfrc@globo.com

Acadêmico do 7º nível de Filosofia da UPF

Um comentário:

Doctor Perplexorum disse...

Olá Guilherme! É sempre bom encontrar discípulos do grande Baruch de Spinoza, o filósofo da vida, da liberdade. Eu garimpei muito até chegar nele e, atualmente, leio e releio as páginas da Ética e do Tratado Teológico-Político, e a cada nova leitura, uma nova descoberta. Espero trocar muitas idéias sobre este grande mestre, que foi um divisor de águas do conhecimento universal.

Att,
Doctor Perplexorum

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