sexta-feira, janeiro 02, 2009

Reflexões Sobre o Tempo

Adeus ano velho, feliz ano novo! Velho... Novo... Seria muito fácil se o tempo, na vida prática, pudesse ser dividido tão sistematicamente como na linearidade apresentada em uma “linha do tempo”, com um passado, um presente e um futuro bem definidos. Assim, simplesmente deixaríamos o passado para trás com seu saudosismo, voltaríamos as nossas esperanças para um futuro vindouro e o presente, bem o presente é o que menos vivemos!

O tempo é um fluir constante, nunca para, não pode ser retido, por mais que o desejemos, por mais que o tentemos de diversas maneiras. Afinal, como já dizia o poeta romano Virgílio: Sed fugit interea fugit irreparabile tempus, ou seja, “mas ele foge: irreversivelmente o tempo foge".

Quando recordamos o passado, estamos relembrando algo que não é mais, embora ao ser relembrado, este algo possa ser revivido em nossa memória. Talvez relembrar o passado seja vivê-lo outra vez em nossos pensamentos. No entanto, a verdade é que a lembrança não é. O passado linear não volta, apesar de muitos viverem atormentados por um passado que se mantém presente na mente. Para estes ele está tão presente quanto o momento atual e isto nos mostra que o tempo não está apenas no movimento linear, mas que ele retém um aspecto psicológico e relativo.

O futuro, por sua vez, não se apresenta diferente, embora oposto. Quando pensamos nele estamos projetando nossa mente ao que não é ainda. Projetamos nossas esperanças ou nossas preocupações a um tempo que não o agora. O futuro é uma probabilidade e não uma certeza.

Já o presente é o momento em que, paradoxalmente, vivemos corporalmente e não psicologicamente. Pensamos nas coisas que passaram, nos arrependemos, ficamos saudosos dos “bons tempos”, sonhamos com as coisas que virão, em como será a reunião da próxima segunda-feira, ou como seria nossa vida se acertássemos na mega-sena. Mas, o presente, que é o único momento realmente concreto no qual estamos inseridos, não o vivemos. Estamos lendo um livro e pensando na reunião de segunda, estamos caminhando na rua e pensando no jogo de amanhã à noite na tv, estamos, estamos, estamos e, na verdade, não estamos. E o tempo, diz Rubem Alves, foge, tempus fugits.

Não que recordar o passado e refletir sobre o futuro não tenham sua utilidade. Claro que o tem! Afinal, é com o passado que assimilamos os nossos erros e acertos e é no futuro que colocamos nossas metas e objetivos. O passado nos trás grandes lições e o futuro esperanças. Porém, viver, só vivemos o agora! Horácio bem o sabia quando lançou a seguinte sentença: "carpe diem, quam minimum credula postero” – ou seja, “aproveita o dia presente e confia o mínimo no amanhã”.

O presente deve ser vivido e não conservado para o amanhã ou retido na memória do que passou. Viver o agora é viver o sorriso da pessoa amada no agora e não na lembrança, é buscar a felicidade naquilo que está ao nosso alcance hoje e não somente se acertarmos na mega-sena. A vida acontece no presente!

Guilherme R. Fauque
atonfrc@gmail.com

5 comentários:

LEX disse...

Adorei este texto Aton! Quem de nós que vive o presente plenamente né rs... É de se refletir... Acho que quando não se vive o presente a sensação que fica é que a vida não "rende"... Ou seja, não se aproveita o viver...
Lex.

andre disse...

Bixo !
vivenciar o presente sem "resíduos mnemônicos"
como fala 1 conhecido meu , eh das coisas mais raras no nosso dia-a-dia , disperdissamos muita energia cerebral no ontem e no amanhã..
mas "esperniar" demais contra isso tmb eh PERDA DE TEMPO ..q dilema existêncial hein !hahah..
indiquei a leitura do teu blog pra algumas pessoas legais ae..
abraço meu irmão!

HANNA disse...

VIVER O PRESENTE É ESTAR NO AQUI E AGORA E DEPENDENDO DO QUE ESTÁ SENDO VIVENCIADO PRODUZ INTENSA ALEGRIA ,SE FOI UM MOMENTO FELIZ.OU UMA TRISTEZA PROFUNDA SE AQUELE MOMENTO FOI DE PERDAS...MAS DE ALGUMA MANEIRA ACREDITO QUE O ASPECTO PSICOLÓGICO NAQUELE PRESENTE FOI ALTERADO
PESSOAS PRESAS AO PASSADO,AGRADÁVEL OU NÃO,CHEGAM A SENTIR O JÁ SENTIDO!!!
VIVENCIAMOS O PRESENTE MECANICAMENTE,SEM NOS DARMOS CONTA, NAS ATIVIDADES ROTINEIRAS.
ADOREI SEU TEXTO,DÁ MARGEM HÁ MUITA REFLEXÃO

Anselmo disse...

é a nossa realidade quando não vivenciamos o presente nos cobramos no futuro atormentados por lembranças de um passado que construimos , ignorantes é claro de seus efeitos devastadores na psicologia intima , remorço eis o grande vilão de nossas vidas acopladas ao ato de viver para o futuro , que alias vem a se tornar cada vez mais instavel.

Guilherme R. Fauque disse...

Fico muito feliz com todos os comentários!

Obrigado mesmo!

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