quinta-feira, janeiro 08, 2009

CONFLITO ISRAELO-PALESTINO

Impossível manter silêncio enquanto se desenrola o sangrento confronto entre palestinos e israelense na Faixa de Gaza. Analisando os fatos, pesando ambos os lados, logo percebemos o quanto é difícil um posicionamento imparcial. Como negar o direito de defesa de Israel mediante os persistentes ataques do grupo fundamentalista islâmico Hamas? Por outro lado, como manter-se indiferente a deplorável situação dos palestinos residentes em Gaza, juntamente com os embargos ocorridos na fronteira, que segundo alguns analistas, podem ter deflagrado o rompimento do cessar fogo promovido pelo Hamas?


São muitos os prós e os contras, tanto de um lado quanto do outro. Nós que acompanhamos de fora e não somos especialistas em questões políticas (e mesmo os especialistas tomam juízos apressados algumas vezes), facilmente podemos interpretar erroneamente a situação. Não obstante, há um ponto de reflexão que nos parece interessante e no qual gostaríamos de balizar nossas reflexões: a questão da cedência, ou seja, da necessidade de cessão bilateral.


Porém, façamos antes uma brevíssima incursão em como tudo isto começou:


O conflito entre árabes e israelenses iniciou-se em 1948, devido à resolução da ONU quanto à questão da partilha da Palestina entre árabes e judeus, gerando, assim, o primeiro conflito pela região. Após, em 1967, seguiu-se a “Guerra dos Seis Dias” e, 1973, a “Guerra do Yom Kipur”. Passado alguns anos, em 1987, ocorreu a primeira Intifada (palavra árabe que significa umlevante” dos árabes contra Israel) e em 2000 a segunda Intifada. Em 2007, Gaza foi tomada do grupo islâmico Fatah, que dominava a Palestina, pelo grupo ultra-radical Hamas. Este grupo rejeita a existência do Estado judeu e, desta forma, vem lançando constantemente foguetes em Israel. Porém, em 2008, um cessar fogo foi proposto e, após seis meses, interrompido pelo Hamas, o que deflagrou o atual conflito.


Quem tem razão? Difícil definir. Mas para um posicionamento imparcial, o bom-senso, como dizia Descartes, torna-se imprescindível.


Assim, cremos que a capacidade de ceder é o primeiro passo a ser dado. Afinal, enquanto não houver um mínimo de cessão das partes, enquanto cada um defender “a sua verdadecomo a única, acusando-se de mentirosos ou errados, a paz será impossível.


Ceder é imprescindível! Porém um ceder bilateral, é claro. Existe um lado certo ou errado? No momento isto não é o mais importante diante da situação humanitária calamitosa que se encontra a região de guerra. Indiferente a raça ou credo, as mortes são lamentáveis! O que é premente agora é a busca de um meio para a paz e acreditamos que a essência para a paz esteja na capacidade de “dar algo”. Afinal, não existe paz sem concessões! Alguém tem que ceder o mínimo possível para iniciar-se um acordo diplomático.


Baruch Spinoza, filósofo racionalista do século XVII, afirmava que o poder de mudança está no aumento do conatus social, ou seja, de nossa capacidade, como sociedade, de fortalecermos nossa natureza. Apoiados em Spinoza, compreendemos que a paz vem a partir de nossas ações, da afetividade ativa em busca da felicidade duradoura. A paz depende invariavelmente de nós, de nossas escolhas e de nossa capacidade de saber ceder.


Guilherme R. Fauque

atonfrc@gmail.com

Aluno do 7º nível de filosofia da UPF

3 comentários:

Anselmo disse...

Meu bom e velho ( novo) Guilherme Aton Fauque darei um parecer ``meu´´ sobre estes acontecimentos e espero não deturpar teu maravilhoso pensamento pacificador e que deveria ser conscientizador das partes citadas.e caso eu escreva alguma besteira não leve a mau pois pode transparecer a minha ignorancia sobre as condições de relacionamentos humanos entre bases extremistas.

Sempre me questiono sobre a questão do fanatismo ! como vc citou um local onde politica e religião se mesclam , porem ainda mais fundo se mesclam o orgulho de um povo outrora escolhido por DEUS ,Jesus conta a parabola das bodas do rei aos seus discipulos e até hoje muitos e não só os viventes nesta arida região não pararam para refletir que eles que um dia foram convidados ao banquete ofertado por DEUS tambem não deram o devido valor e por assim dizer ficaram para traz com todos os velhos habitos e convidados anteriores.

como na proposta da parabola muitos ainda continuam a afastar as oportunidades oferecidas todos os dias para que deixemos de nos influenciar pelo orgulho pela avareza pelo personalismo que nubla nossa visão sobre e incapacita a razão

Guilherme R. Fauque disse...

Valeu pelo comentário Anselmo.

Estas questões são todas delicadas, podemos analisá-las de vários pontos de vista, inclusive um mais religioso e com bases cristãs como a tua. Certo? Errado? Complicado meu amigo.

Mas uma coisa é certa... a paz tem que começar por nós.

Fico muito feliz com teu comentário! Sempre que puder passa aqui para dar uma olhada nos textos, valeu pela força.

Guilherme

Anônimo disse...

Texto interessante, porque mostra a necessidade do diálogo racional entre as partes como forma de se chegar à paz. Mas não é preciso esforços de imparcialidade, para dizer que se ambos, Hamas e exército de Israel, estão errados por não cederem ao diálogo, então Israel está mais errado: pois além de não ceder, cometeu crimes de guerra contra humanidade 1000 vezes mais do que o Hamas, nesse episódio. Israel agiu como alguém que, ao receber um empurrão de um pedestre mal-educado na rua, descarrega todo o revolver sobre ele, e depois alega o direito de se defender da agressão. A desproporcinalidade do ato é patente. Proporção, em latim, também se diz "ratio", a mesma palavra para razão, a qual, se faltou em ambos os lados, faltou mais ainda para Israel, que poderia ter usado todo o seu poder político para colocar a comunidade international contra o radical Hamas. Em vez disso, ele preferiu o uso da violência.
Se nossa opção for antes de tudo pela vida, não precisamos ser tão imparciais para defender, como os grande Budas, que a guerra só vai gerar mais violência. Puxa vida, isso é tão claro! Lógico que podemos usar a própria força para defendermo-nos quando nossa vida está realmente ameaçada. Mas não foi isso que aconteceu em Israel, que de resto tem todo o direito de esforçar-se - diplomaticamente - para tirar o Hamas do poder. Quando podemos optar pela vida, por que optar pela morte? Como espinosano, sou pela vida, e defendo-a com parcialidade, porque minha essência não permite o contrário.

Marcos - S.Paulo-SP

On-Line Translator