segunda-feira, janeiro 26, 2009

AQUI E AGORA - A NÃO LINEARIDADE DO TEMPO

Gostaria de começar este texto com um pequeno questionamento. Pense e responda: Você acredita que é o passado que influencia o presente ou é o presente que influencia o passado? Tempo... tic tac tic tac. Pensou? Se o seu raciocínio for semelhante à média das pessoas, provavelmente terá respondido que é obvio que é o passado que influencia o presente, afinal as ações cometidas no passado desenrolam-se numa cadeia de conseqüências no presente. Se você resvalou numa casca de banana na rua hoje a tarde, foi porque algum desleixado a jogou ali pela manhã... e esta é uma resposta razoável... se você estiver pensando linearmente. Mas façamos uma breve reflexão sobre o assunto, analisando-a por um outro prisma. Defendo a resposta oposta, ou seja, o presente influencia o passado. Como? Calma, não precisa rasgar o texto e me amaldiçoar, explicarei.


Filósofos como o neo-estóico Sêneca (4 a.C - 65 d.C) e o racionalista Baruch Spinoza (1632 d.C – 1677 d.C) acreditavam na capacidade das coisas ocorrerem unicamente no presente. O passado nada mais seria do que um fenômeno ocorrido no presente da época, ou seja, não existe um passado a não ser na imaginação e na lembrança. Só o que existe é o momento atual, o presente. O mesmo também o é em relação ao futuro. A ação de agora gerará conseqüências futuras. Porém, estas conseqüências produzidas devido a algo ocorrido no presente virão a se realizar não no futuro, mas no presente daquele momento. Devido a este raciocínio, Spinoza, assim como Sêneca, tem grandes desconfianças com a questão da “esperança”, mas esta é uma questão para outro momento.


Então, o que conta realmente é o momento presente, é ele que influenciará o passado (e também o futuro, mas isto é facilmente compreendido), visto que o único tempo realmente vivenciável é o presente. No presente ocorrerão as ações e quando relembrarmos delas, posicionando-as no passado, eles terão tido aquele feito devido a ação ocorrida naquele presente. Da mesma forma a ação de agora, que você está empreendendo neste momento, será a lembrança do passado que você terá futuramente, no presente que estiver vivendo. Confuso? Pode ser, o importante é ter em mente que o presente é que gerará o passado e o futuro, o presente é o momento da transformação, da ação, do amor, da paixão. O presente é o momento de viver.


E ? O que você acha? Na sua opinião, é o passado que influencia o presente ou o oposto?


Guilherme R. Fauque

atonfrc@gmail.com

Acadêmico do 7º nível de filosofia da UPF

4 comentários:

Anônimo disse...

Guilherme, é complexa sua reflexão sobre o tempo. Não tenho, no momento, e também porque estou de férias para com a filosofia, uma posição sobre a temática. Mas é interessante seu blog.
Teremos muito tempo para filosofar neste ano de 2009. Prof. Nadir

HANNA disse...

EU ACREDITO QUE PASSADO SIGNIFICA QUE PASSAMOS,PORTANTO,ESTIVEMOS NAQUELE PRESENTE.SE ENFRENTAMOS SITUAÇÕES QUE NOS MARCARAM,POD FICAR OS SENTIMENTOS E EXPERIENCIAS QUE VÃO NOS AUXILIAR NO AGORA,OU SEJA,NO PRESENTE ATUAL. NÃO PODEMOS NEGAR COISAS QUE PRESENCIAMOS. CONCORDO QUE ESTAMOS SEMPRE NO MOMENTO VIVENCIÁVEL,MAS NÃO PODEMOS NEGAR O QUE JÁ VIVEMOS.O QUE SIGNIFICARIA TER EXPERIÊNCIA,E SE PREVALECER DELAS??
O QUE JÁ PASSAMOS,O PASSADO,INFLUENCIA O QUE ESTOU PASSANDO NO AGORA,PRESENTE,PRINCIPALMENTE SE RECORRO AO "DEJAVU"

Guilherme R. Fauque disse...

Exato, ótima reflexão Hanna. Mas o meu ponto é que mesmo que a experiência influencie o que vivemos hoje, na verdade a experiência foi um fato ocorrido no presente do passado, ou seja, naquele momento era presente! Da mesma forma que o que você está fazendo agora será passado daqui a pouco e este passado é fruto da ação do agora.

Então, reforçando, o meu ponto é que o presente é que realmente deve ser vivido, pois ele é que cria.

O LÓGICO disse...

Olá Guilherme. Bom, o raciocínio abstrato quanto à questão de na verdade só haver o tempo presente, para mim é super simples de capturar, pois ele é bem lógico. Todavia, penso que podemos conciliar essa tese com afirmações em termos de tempo passado.

Compreendo que o que tenho em minha mente como uma lembrança de um fato que vivi, e que organizo em forma de passado devido à lembrança que tenho dele, foi "experienciado" num tempo que sempre foi o PRESENTE no exato momento que ele ocorreu. De fato, em termos de experienciarmos o fluxo do tempo e tudo que nele se apresenta, nunca podemos fazer isso em termos de tempo passado ou futuro. Todavia, quando lembramos dos episódios vinculados a um fluxo de tempo que experienciamos, os classificamos como "fatos passados", visto que eles não estão ocorrendo no presente, e óbvio que vinculado a um fluxo de tempo que experienciamos. Então, não vejo problema em falarmos em "tempo passado", quando temos em mente que se trata de um fluxo experienciado por exemplo há duas horas atrás. Noutros termos, o fluxo de qualquer tempo experienciado é sempre presente, mas podemos classificar e organizar esse fluxo, com a linguagem que dispomos, em termos de passado e presente.

Nesse sentido, uma coisa é falarmos em fluxo de tempo experienciado, que é sempre presente, outra é falarmo em classificação ou organização do fluxo de tempo em termos mentais. Assim, posso falar, sem nenhum absurdo lógico: quando transei com Flávia no passado, há duas horas, foi bem melhor que a transa de dois minutos atrás. A palavra passado tem uma função organizacional, apenas, e não experiencial. Os fluxos de tempo experienciados e vinculados às duas transas nunca podem ser postos em termos de passado; mas a sua organização mental, sim.

O tempo, então, sempre é experienciado em termos de presente, acatando o raciocínio do teu texto que a meu ver é perfeito, mas sua organização mental, não.

Mas me parece que o teu texto deixa sem fundamento aquilo mesmo que seria o ponto principal: "Defendo a resposta oposta, ou seja, o presente influencia o passado. Como? Calma, não precisa rasgar o texto e me amaldiçoar, já explicarei". Mas para essa tese você não apresentou nenhum argumento. De que forma o presente influencia o passado? Defendo, que qualquer proposta que se apresente, com vemos nos filmes, teria que se apresentada com base numa narrativa metafísica que sofreria profundas críticas, visto que exigiria uma série de adendos a cada objeção que fosse apresentada, se tornando, ao final, mais um devaneio do que propriamente uma tese filosófica.

On-Line Translator