sexta-feira, dezembro 19, 2008

Shallow Hal - Em busca da beleza ideal!

O filme do diretor Bobby Farrelly, com o hilário Jack Black, intitulado Shallow Hal (e no Brasil com o nome de O Amor é cego), expõe uma interessante questão: o que é beleza?

Hal (Jack Black) era uma pessoa fútil e que desejava unicamente as mulheres mais belas. Para utilizarmos o jargão gaúcho, Hal dava “bodocadas” para todos os lados, mas não “pegava” ninguém. Em determinado momento, encontrou no elevador um famoso guru que o hipnotizou e o fez ver a beleza interior das pessoas ao invés de, unicamente, a beleza externa. A partir deste momento, Hal via mulheres estonteantes onde estavam mulheres fisicamente feias. Outras vezes acontecia o inverso, ou seja, onde estava uma femme fatale Hal via uma figura de assustar.

Neste ínterim, Hal conhece Rosemary (Gwyneth Paltrow), uma garota que encanta seus olhos. Uma verdadeira “gata”... de no mínimo uns 120 kg... e com um tornozelo que só você vendo! O desenrolar do filme é hilariante, e Hal vai se apaixonando pela pessoa além da aparência, até despertar de sua hipnose e descobrir a “realidade”.
Assistindo esta hilariante comédia, conseqüentemente somos levados a questionar nossas concepções de beleza. O que é a beleza realmente?

Normalmente, quando temos dúvidas quanto a uma palavra, logo recorremos ao empoeirado dicionário no canto da estante. E lá encontramos uma definição de belo: “Que tem forma perfeita e proporções harmônicas”.

Ótimo! Está resolvido nosso problema! Certo? Não!

Pense no seguinte: Você gosta do mar, não gosta? Pois uma pessoa que perdeu alguém nele não gosta. Você acha a Mona Lisa bonita? Pois tem gente que acha sem graça alguma. E assim poderíamos continuar citando inúmeros exemplos.

Ah, mas então a beleza é uma questão relativa? Também não é este o ponto.

Para Platão a beleza estava num ideal de belo em si, ou seja, o belo não se restringia à aparências sensíveis, que eram unicamente imitações de uma realidade além do físico. No seu diálogo Banquete, Platão sugere um processo educativo para se compreender a verdadeira beleza. Assim, começa-se compreendendo a beleza de um único corpo, depois acaba-se identificando esta beleza, que está no corpo admirado, também em outros corpos belos, de tal forma que, uma vez compreendido que todos os corpos têm esta beleza imanente, vê-se a futilidade de se admirar somente corpos; afinal, a beleza é algo mais sutil do que isto. Então, passa-se a considerar a beleza da alma, que pode estar mesmo em um corpo sem encantos.

Procedendo desta forma, avança-se para a compreensão de uma beleza que está nos costumes e nas leis morais e não mais unicamente no físico. Passa-se, então, a pensamentos e discursos de inesgotável inspiração, e, por fim, atinge-se a beleza no seu ápice. Neste momento, o homem verá sua eternidade, “que não nasce nem morre, que não aumenta nem diminui, que além disso não é em parte belo e nem em parte feio”, como dizia Platão. Aqui vê-se uma beleza que não se apresenta mais corporalmente, nem em palavras ou de outra forma qualquer, porque a beleza agora existe em si mesma e por si mesma. Uma beleza suprema e perfeita na qual todas as outras se assemelham.

Portanto, mesmo que não cheguemos a uma concepção tão elevada de beleza como a de Platão, cabe refletirmos se não estamos dando muito valor à beleza efêmera e que representa tão pouco. A beleza é algo muito além da aparência física e Hal acabou descobrindo isto também... após algumas mancadas.

Guilherme R. Fauque
atonfrc@gmail.com

Um comentário:

samara disse...

oi aton
parabens pelo blog
estou aqui a lhe pedir o livro viagens fora do corpo de robert monroe, ja procurei em livrarias sebos internet e estam todos esgotados ouem ingles,sei que ja deve ter lido este livro entao venho aqui lhe pedir se quer me vender, ou se conhece alguem que possa me vender. desde ja agradeço

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