terça-feira, dezembro 30, 2008

SAPIENS E DEMENS – UM EQUILÍBRIO NECESSÁRIO

Vemos intensificarem-se, de maneira preocupante, os conflitos no Oriente neste final de ano. O Paquistão e a Índia, duas potências nucleares, em pleno desacordo e preparando-se para uma guerra. Da mesma forma, os conflitos israelo-palestino intensificam-se e este infindável conflito dirige-se a uma nova guerra. Tudo isto em pleno final de ano, época na qual os ânimos estão voltados para se pensar na paz, no entanto somos levados, obrigatoriamente, a pensar em guerras.

"Foto do momento em que um míssel israelense cai na Faixa de Gaza"

Os conflitos são uma característica marcante da raça humana, a história bem nos mostra isto, e esta característica ainda poderá ser a nossa derrocada. Nos orgulhamos de nos diferenciarmos dos outros animais por nossa capacidade racional e assim nos consideramos homo sapiens. Realmente, não podemos negar nossa capacidade racional, nossa capacidade de ser sapiens. Porém, como diz Edgar Morin, “ser homo implica ser igualmente demens”, ou seja, sermos capazes de manifestar paixões, cólera, gritos, afetividades extremas, a loucura (demens) inerente a nossa qualidade de homens (homo). Para Morin, sem isto não seriamos capazes de poesia, amor, criação. Somos dotados de razão e também de uma profunda irracionalidade, ambas convivendo num paradoxo existencial típico do animal humano. Esta tensão gerada pelo sapiens e o demens é profícua, criativa, mas também destrutiva no momento em que se perder o foco de uma justa medida, de um caminho do meio. Por isto, há a necessidade de controlar nosso lado demens e a sua capacidade homicida, irracional e estúpida.

Atualmente, parece que é isto que está ocorrendo. O homem está num ponto tal de racionalização, vivendo numa época em que o virtual sobrepõe o natural, o capital tem mais valor que o humano, as virtudes são esquecidas e os impulsos da loucura sobrepõem os da sabedoria. O desenvolvimento da nossa racionalidade é imprescindível, mas temos que estar cientes de que este desenvolver leva a um diálogo com o irracionável e este diálogo precisa ser mediado pelo bom senso. Afinal, somos responsáveis pela guerra ou pela paz.

"Cartaz com partidários do Hamas, grupo fundamentalista islâmico, com escritos dizendo: "Para o inferno com a Liberdade", mostrando a escolha pela guerra"

Como disse acima... somos responsáveis pela guerra ou pela paz.

Guilherme R. Fauque
atonfrc@gmail.com

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